Formação de vias dopaminérgicas e desenvolvimento de gatilhos automáticos
Ativação da via dopaminérgica
A dopamina é uma substância química cerebral classificada como neurotransmissor, responsável por transmitir sinais elétricos entre as células neuronais.
Quando um indivíduo realiza um comportamento seguido de uma recompensa prazerosa, o cérebro ativa imediatamente a via dopaminérgica.
A função biológica fundamental desta via consiste em registar e recordar os comportamentos motivados pelo prazer percebido.
Durante a primeira experiência perante um estímulo novo, a pessoa não sabe se a ação será agradável.
No entanto, ao iniciar o comportamento e sentir satisfação, a via dopaminérgica é ativada, enviando sinais de uma célula para outra.
À medida que a ação se repete, o cérebro desenvolve uma resposta antecipatória.
Antes de executar o ato, o simples pensamento sobre a atividade desencadeia a libertação de dopamina, uma vez que a mente recorda eficazmente a gratificação anterior.
Desenvolvimento dos gatilhos automáticos
Com a consolidação do hábito, certos estímulos do ambiente ou pensamentos específicos acabam por se tornar gatilhos.
Estes elementos ativam a libertação de dopamina de forma automática, sem exigirem uma reflexão prévia por parte da pessoa.
A ativação involuntária das vias dopaminérgicas obriga o indivíduo a concentrar o seu pensamento no comportamento associado à recompensa.
A exposição crónica a esta sobreestimulação faz com que o cérebro receba inundações constantes do neurotransmissor.
Para regular a sobrecarga química, os recetores de dopamina reduzem o seu tamanho e quantidade.
Quando os níveis baixam, a diminuição dos recetores gera um défice que faz com que o indivíduo se sinta desmotivado, triste, sozinho ou deprimido.
A falta de estimulação cria a necessidade imperiosa de obter doses maiores de dopamina para sair do estado depressivo, obrigando a repetir o comportamento compulsivo para se sentir bem novamente.
Neuroplasticidade e reeducação cerebral
Esta alteração neurobiológica demonstra que os vícios comportamentais não se devem a uma simples falta de autocontrolo, mas sim a modificações reais na estrutura orgânica do cérebro.
A persistência do ciclo de dependência é reconhecida pela ciência como uma doença cerebral.
No entanto, a boa notícia reside no facto de a arquitetura neurológica possuir plasticidade.
A neuroplasticidade representa a capacidade que o cérebro tem de mudar, reconfigurar-se e adaptar-se continuamente em função do ambiente, dos hábitos e da informação que recebe diariamente.
Uma vez que as conexões neuronais se transformam de acordo com os estímulos recebidos, o indivíduo tem a oportunidade de modificar literalmente a estrutura da sua mente ao abster-se do comportamento aditivo.
Ao cessar a sobreestimulação artificial e conceder o tempo necessário para a cura, as vias dopaminérgicas reorganizam-se gradualmente.
O objetivo central do treino cerebral consiste em restabelecer o equilíbrio químico, permitindo que a pessoa volte a experimentar o prazer natural através de atividades saudáveis, funcionais e totalmente orientadas para a ação consciente.
RESUMO
A dopamina atua como um neurotransmissor que transmite sinais entre as células quando se realiza um comportamento prazeroso. O cérebro regista este comportamento motivado pela recompensa, abrindo vias neurológicas que ativam a libertação química antecipada.
Com o tempo, certos estímulos tornam-se gatilhos automáticos que abrem as vias dopaminérgicas. O consumo crónico satura o cérebro, reduzindo os recetores e gerando desmotivação ou depressão, exigindo mais dopamina para a recuperação.
A plasticidade cerebral permite modificar a estrutura orgânica de acordo com o ambiente e a informação recebida. Ao interromper o hábito de dependência e dar tempo para a recuperação, o cérebro reconfigura-se para sentir prazer com fontes diferentes.
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