Transcrição Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)
A fusão com o pensamento intrusivo e a compulsão como agenda de controlo
No Transtorno Obsessivo Compulsivo, a patologia reside numa fusão extrema com o conteúdo dos pensamentos intrusivos.
Uma pessoa pode ter a imagem fugaz de empurrar alguém para os trilhos do comboio. Para a maioria, esse é um pensamento estranho sem importância.
Para alguém com TOC, a fusão transforma esse pensamento numa ameaça iminente: «Se pensei nisso, é porque sou capaz de o fazer» ou «Pensar nisso é tão mau como fazê-lo».
A compulsão (rezar, verificar, lavar-se) é a tentativa desesperada de controlar a ansiedade que essa fusão gera e de «anular» o pensamento.
O tratamento com ACT não procura debater a probabilidade de que o evento temido ocorra (lógica), mas sim mudar a relação com o pensamento (função).
Se um paciente tem «TOC amoroso» e é assaltado pela dúvida «Será que realmente amo o meu parceiro?», a compulsão seria analisar constantemente os seus sentimentos.
A intervenção da ACT seria ajudá-lo a dizer: «Estou a ter o pensamento obsessivo de que não amo o meu parceiro. É apenas uma série de palavras.
Vou deixar essa dúvida estar lá, sem responder, e vou dar um beijo no meu parceiro porque o meu valor é agir com amor». Bloqueia-se a compulsão de «resolver» a dúvida mentalmente.
Exposição com prevenção de resposta a partir da perspetiva dos valores
A exposição com prevenção de resposta (EPR) é o tratamento padrão para o TOC, mas a ACT acrescenta uma camada de motivação e compaixão.
Em vez de nos expormos ao medo apenas «para diminuir a ansiedade», expomo-nos «para recuperar a vida».
Imaginemos alguém com TOC de contaminação que não consegue tocar nas maçanetas das portas. A exposição tradicional faria com que tocasse nas maçanetas até se habituar.
Na ACT, enquadramos isso em valores: «O que esse medo está a custar na sua vida? Impede-o de visitar a sua família ou ir ao cinema?». A exposição torna-se um ato de rebelião em favor dos valores.
«Vou tocar nesta maçaneta suja e não vou lavar as mãos, não porque queira estar sujo, mas porque quero ser livre para ir onde eu escolher, não onde o meu TOC me permite».
Enfatiza-se a aceitação da sensação de «sujeira» ou «contaminação» como uma experiência privada desconfortável que esta
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