PorCursosOnline55
Act vs. tcc tradicional: por que deixar de controlar teus pensamentos funciona melhor - terapia aceitacao compromisso
Quando buscamos alívio do mal-estar psicológico, costumamos nos deparar com duas formas de trabalhar a mente. Uma tenta ordenar, questionar e modificar o que pensamos. A outra propõe mudar a relação que temos com nossas experiências internas, sem a necessidade de lutar contra elas. Ambas buscam reduzir o sofrimento e ampliar a liberdade para viver de acordo com o que importa, mas o fazem a partir de premissas diferentes.
A abordagem cognitiva tradicional centra-se em identificar pensamentos automáticos e vieses, submetê-los a prova e substituí-los por interpretações mais ajustadas. A alternativa baseada em aceitação e compromisso foca em deixar de lutar contra o conteúdo mental, cultivar a presença, diferenciar-se das histórias mentais e avançar em ações coerentes com os próprios valores.
Tentar não pensar em algo tende a produzir o efeito contrário. Quanto mais tentamos suprimir uma ideia, mais ela volta, com mais força e frequência. Esse “rebote” é uma armadilha do controle: consumimos energia monitorando para que o pensamento não apareça, e essa vigilância o mantém vivo no radar. O resultado é cansaço, mais ansiedade e a sensação de perder a batalha interna.
Além disso, medir o sucesso em termos de “que não apareçam pensamentos negativos” cria um padrão impossível. O fluxo mental é criativo, involuntário e às vezes caótico. Se o bem-estar depende de que a mente esteja em silêncio ou totalmente positiva, condenamo-nos a uma guerra eterna.
Aceitar não é resignar-se nem aguentar para sempre; é deixar de investir esforço em controlar o incontrolável (pensamentos, memórias, emoções) e redirecioná-lo para o que está ao seu alcance (respostas, escolhas, passos alinhados com seus valores). Implica permitir que aquilo que já está acontecendo por dentro esteja, sem acrescentar camadas de luta.
Em vez de discutir com cada frase mental, aprende-se a vê-la como o que é: atividade da linguagem. Técnicas como antepor “estou tendo o pensamento de que…” reduzem a fusão com o conteúdo. Quando um pensamento é vivido como som ou texto, seu poder de ditar condutas diminui.
A prática de atenção plena treina a notar sensações, respiração e entorno em tempo real. Isso oferece ancoragem quando a mente te arrasta para futuros catastróficos ou passados ruminados. Estar no corpo devolve opções: você pode escolher sua próxima ação sem que a tempestade interna o arraste.
Os valores são direções, não metas que se marcam. Escolher “ser uma pessoa presente e carinhosa” guia pequenas condutas diárias, mesmo se a ansiedade acompanhar. O progresso se mede por passos consistentes com o que importa, não por quantos pensamentos desagradáveis você conseguiu erradicar.
Detectam-se distorções (catastrofismo, leitura da mente, tudo ou nada), formulam-se hipóteses alternativas e contrasta-se a evidência. O objetivo é alcançar interpretações mais realistas e funcionais, reduzindo a intensidade emocional ligada a julgamentos imprecisos.
Além do trabalho com ideias, promovem-se tarefas comportamentais para testar crenças e romper ciclos de evitação. Ao experimentar, a pessoa observa por si mesma que certos medos não se confirmam ou que pode tolerá-los.
Esta abordagem é muito útil quando os vieses cognitivos são claros e os comportamentos mantêm o problema. Mas quando aparece uma luta feroz para erradicar sensações e pensamentos, a insistência em mudar o conteúdo mental pode alimentar a armadilha do controle. Nesses casos, flexibilizar a relação com a mente mostra-se mais eficaz.
Sente-se por um minuto. Observe a corrente da sua mente como se fosse um rio. Cada pensamento que aparecer coloque-o sobre uma folha imaginária e deixe-o passar. Não empurre nem detenha; volte à respiração quando notar que você se subiu a uma folha. Pratique durante dois ou três minutos.
Quando surgir um julgamento duro, diga internamente ou em voz baixa: “Estou tendo o pensamento de que não sirvo”. Note a diferença corporal entre “não sirvo” e “estou tendo o pensamento de que…”. Essa microdistância é desfusão.
Experimente 5-4-3-2-1: nomeie cinco coisas que você vê, quatro que sente ao toque, três que ouve, duas que cheira e uma que saboreia. Isso o traz de volta ao presente quando a mente acelera.
Escolha um valor para hoje (cuidado, aprendizado, coragem) e defina um passo de cinco minutos que o expresse. Mesmo que a ansiedade apareça, realize o passo. Avalie no final do dia que aproximação esse gesto proporcionou, além de como você se sentiu.
Imagine areias movediças: quanto mais você luta para sair com movimentos bruscos, mais afunda. A saída é contraintuitiva: expandir-se, flutuar, mover-se com lentidão e usar o apoio disponível. Com a mente ocorre algo semelhante: deixar de lutar abre opções para mover-se com cuidado rumo à terra firme.
Você não precisa ganhar toda discussão com sua mente para viver bem. Mudar a relação com os pensamentos, permitir a experiência interna e avançar no que importa costuma ser mais sustentável do que lutar para controlar o incontrolável. A liberdade não chega quando a mente se aquieta, mas quando seu ruído deixa de dirigir seu comportamento.