PorCursosOnline55
O hexaflex explicado: os 6 pilares da flexibilidade psicológica - terapia aceitacao compromisso
A flexibilidade psicológica é a capacidade de estar em contato com o que acontece dentro e fora de você, abrir-se à experiência tal como é e responder de maneira deliberada segundo o que lhe importa. Não se trata de sentir-se bem o tempo todo, mas de viver bem, mesmo quando o que sente é difícil. Em vez de lutar com os pensamentos e emoções, essa abordagem propõe relacionar-se com eles de uma forma mais ampla e útil.
Essa maneira de estar no mundo sustenta-se em seis processos que se potencializam mutuamente. Pode pensá-los como práticas que, combinadas, ajudam-no a mover-se com mais clareza e propósito. Não precisa dominá-las perfeitamente; o trabalho consiste em treiná-las aos poucos, em situações reais, com gentileza consigo mesmo.
Os pilares seguintes funcionam como um mapa. Não são passos lineares nem regras rígidas: são habilidades que se entrelaçam e que pode ativar conforme o momento.
Aceitar não é resignar-se nem render-se. É abrir espaço para as emoções, sensações e memórias que surgem, sem tentar controlá-las a todo custo. Quando deixa de gastar energia em evitar ou suprimir, recupera recursos para agir na direção do que lhe importa. A aceitação é ativa: escolhe permitir a experiência interna e, a partir daí, escolhe como responder externamente.
A mente fala no automático e às vezes as suas histórias soam como verdades absolutas. A desfusão consiste em tomar distância desses pensamentos para vê-los como o que são: palavras, imagens, previsões. Não precisa lutar com eles; basta descolá-los o suficiente para que deixem de dirigir o seu comportamento. Essa distância abre opções.
Estar presente é ancorar-se no momento atual com curiosidade. Em vez de perder-se no passado ou no futuro, volta ao corpo, aos sentidos, ao que está a fazer agora. A atenção plena não é forçar calma; é cultivar uma qualidade de atenção aberta e não reativa que lhe permite notar o que importa e escolher a ação seguinte com mais acerto.
Para além das suas histórias, existe um “lugar” a partir do qual observa tudo o que ocorre: pensamentos, emoções, papéis, memórias. A essa perspectiva chama-se por vezes o eu observador. A partir daí, pode sustentar experiências intensas sem ficar preso nelas. Não suaviza magicamente a dor, mas lembra-lhe que é maior do que qualquer conteúdo mental passageiro.
Os valores são direções, não metas que se riscam. Indicam como quer comportar-se de maneira contínua: com que qualidades, a serviço de quê. Clarificá-los ajuda a decidir na incerteza e a tolerar o desconforto que às vezes implica viver de acordo com o que lhe importa. Não são o que “deveria” importar; são escolhas pessoais e em movimento.
Trata-se de traduzir os valores em comportamentos concretos e sustentáveis. Não espere sentir-se perfeito para agir; a ação comprometida aceita o desconforto como parte do caminho. O foco está em passos factíveis, em iterar e em aprender com os tropeços sem auto-punição. A constância, não a perfeição, é o que gera mudança.
Imagine que precisa ter uma conversa difícil. Antes, nota um nó no estômago e um turbilhão de “melhor evitar”. Pratica presença plena para sentir o corpo e o ambiente. A partir do eu observador, reconhece que há ansiedade, mas não é a ansiedade. Com aceitação, faz espaço para o mal-estar. Aplicando desfusão, vê o pensamento “vai correr mal” como uma frase, não como uma ordem. Lembra-se do seu valor de honestidade e cuidado, e escolhe uma ação comprometida: pedir dez minutos à pessoa, preparar duas mensagens-chave e falar com respeito.
Neste exemplo, não eliminou o desconforto. Usou-o como sinal e, ao mesmo tempo, orientou-se pelo que valoriza. Esse é o coração da abordagem: responder com intenção, embora a mente e o corpo estejam barulhentos.
Se notar que o mal-estar o supera com frequência, que as suas tentativas de enfrentamento o estão a prejudicar ou que lhe custa muito traduzir valores em ações, considere procurar o acompanhamento de um profissional de saúde mental formado nesses enfoques. O objetivo não é depender de alguém, mas treinar essas habilidades com orientação e segurança, para depois continuar a praticá-las no quotidiano.
Treinar esses processos é uma viagem, não um destino. Haverá dias fluidos e dias desajeitados. O importante é continuar a regressar, uma e outra vez, ao que importa e ao próximo passo possível. Com paciência e prática, essa combinação de abertura, atenção e ação vai ganhando terreno e torna-se uma forma mais gentil e eficaz de estar consigo e com o mundo.