Transcrição Exploração de áreas vitais
Mapeamento sistemático dos domínios da vida
Às vezes, a pergunta direta "quais são os seus valores?" é muito abstrata e paralisante.
Para facilitar a descoberta, é útil dividir a vida em partes mais fáceis de lidar e explorar cada uma separadamente.
Não precisamos ter os mesmos valores em todas as áreas; na verdade, é saudável que eles variem.
Utilizamos uma abordagem de revisão de domínios, examinando áreas como: relações íntimas, família, amizades, trabalho/carreira, educação/desenvolvimento pessoal, lazer, espiritualidade, cidadania/comunidade e saúde física.
Para cada área, a investigação não se centra no que se quer alcançar (objetivos), mas na qualidade da interação.
Na área de trabalho, não perguntamos «Quer ser chefe?», mas sim «Que tipo de trabalhador quer ser? Que qualidades quer trazer para a sua equipa ou para os seus clientes? Quer ser diligente, inovador, compassivo, meticuloso?».
Na área das relações, perguntamos: «Que tipo de amigo quer ser quando o seu amigo tem um problema? Que tipo de parceiro quer ser no meio de um conflito?».
Este mapeamento sistemático ajuda a pessoa a ver onde há lacunas (áreas negligenciadas) e onde há congruência.
Muitas vezes, uma pessoa descobre que valoriza muito a «conexão» na família, mas se comporta com frieza no trabalho, ou vice-versa.
Esta análise permite conceber pequenas ações de melhoria em cada quadrante para aumentar a sensação global de coerência vital.
Identificação de atividades de fluxo (Flow) como bússola
Uma pista infalível para localizar valores é prestar atenção aos momentos de «fluxo» ou absorção total.
O estado de fluxo ocorre quando estamos tão imersos numa atividade que perdemos a noção do tempo e da autoconsciência; o «eu observador crítico» desaparece e resta apenas a ação pura.
Esses momentos geralmente indicam que estamos a tocar num valor importante. O terapeuta atua como um detetive, pedindo ao cliente que se lembre das últimas vezes em que se sentiu assim.
Imaginemos um cliente que diz: «No outro dia, estava a reparar uma bicicleta velha na garagem. Passei quatro horas a lixar, a ajustar os travões e a lubrificar a corrente. Nem sequer olhei para o telemóvel. Senti-me em paz». Aqui há ouro.
Podemos indagar: «O que havia nessa atividade que o cativou? Foi o facto de resolver um problema mecânico? Foi o trabalho manual e a precisão? Foi devolver a utilidade a algo quebrado?»
Se a resposta for a precisão e o cuidado, encontramos valores de "maestria" e "cuidado" que talvez a pessoa possa exportar para outras áreas da sua vida onde se
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