Transcrição O interruptor da luta e
O ciclo de amplificação emocional por resistência ( )
Uma metáfora operacional muito útil para compreender a dinâmica do sofrimento é a do «interruptor da luta» (Struggle Switch).
Quando experimentamos uma emoção primária desagradável, como medo ou tristeza, é como se uma luz de alarme se acendesse.
Se tivermos o «interruptor da luta» ativado (na posição ON), a nossa reação imediata a essa luz é: «Isto é terrível, tenho de desligá-la agora mesmo!».
Esta reação de pânico perante a própria emoção gera uma emoção secundária: medo do medo, ansiedade por estar ansioso ou raiva por estar triste. Este ciclo cria uma câmara de eco.
Suponhamos que alguém tem insónia e sente uma ligeira inquietação por não conseguir dormir.
Se o seu interruptor de luta estiver ligado, pensará: «Se não adormecer agora, amanhã serei um desastre no trabalho».
Essa preocupação gera uma descarga de adrenalina que torna fisicamente impossível dormir, o que, por sua vez, aumenta a preocupação.
A emoção original (leve inquietação) é soterrada por uma avalanche de ansiedade gerada pela própria resistência.
O sofrimento multiplica-se não pelo evento inicial, mas pela nossa recusa em experimentá-lo.
Estratégias para desativar a luta e permitir o fluxo
O objetivo terapêutico é aprender a colocar o interruptor na posição OFF (desligado).
Quando o interruptor está desligado, a emoção desagradável continua a aparecer (porque somos humanos e sentimos coisas), mas não há uma reação de alarme secundária.
A ansiedade aumenta, atinge o seu pico e depois diminui naturalmente, como uma onda que quebra na costa e recua.
Sem o combustível da luta, a emoção tem uma vida média curta e flui pelo corpo. Para «desligar o interruptor», treinamos a observação desapegada.
Quando percebemos que o mal-estar surge, em vez de ficarmos tensos, dizemos a nós mesmos: "Lá está a ansiedade novamente. Não gosto disso, mas não vou lutar contra ela. Vou deixá-la estar lá enquanto continuo a ler o meu livro". É semelhante a estar numa sala com um ventilador barulhento.
Se ficarmos obcecados com o barulho e ficarmos irritados, o barulho se torna insuportável.
Se aceitarmos que o ventilador faz barulho e nos concentrarmos na nossa tarefa, o barulho passa a ser um ruído de fundo irrelevante.
Ao deixar de lutar, recuperamos a energia que gastávamos na guerra interna e a emoção perde a sua capacidade de nos paralisar.
Resumo
A metáfora do «interruptor da luta» ilustra como a nossa reação de pânico a uma emoção primária desagradável aciona um alarme que amplifica o sofrimento, gerando emoções secundárias como o medo do medo.
Este processo cria um ciclo de retroalimentação em que a ansiedade original é soterrada por uma avalanche de angústia provocada pela nossa recusa em sentir, multiplicando desnecessariamente a dor.
O objetivo terapêutico é aprender a desligar o interruptor por meio da observação desapegada, permitindo que a emoção flua e siga seu curso natural sem o combustível da luta que a torna crónica.
o interruptor da luta e