Transcrição A fluidez e a transitoriedade das ideias
Aceitação da produção cognitiva incessante
A atividade neurológica consiste numa produção incessante de representações mentais; gerar ideias é o trabalho inevitável do cérebro.
Tentar bloquear na raiz o surgimento de um conceito específico é fútil e até fisiologicamente contraproducente.
Existe um fenómeno psicológico comprovado em que o esforço deliberado para evitar pensar num elemento específico, como um determinado alimento apetecível, acaba por fixá-lo irrevogavelmente no centro da atenção cognitiva.
Portanto, resistir ao fluxo natural da mente apenas amplifica a frequência dos pensamentos indesejados.
Distanciamento entre o indivíduo e a sua criação mental
Diante dessa maré cognitiva avassaladora, a habilidade primordial consiste em cultivar uma relação de desapego analítico.
O erro fundamental da maioria das pessoas reside na fusão total com a sua atividade intelectual, assumindo erroneamente que elas próprias são o pensamento que acabaram de gerar internamente.
Quando o sujeito se identifica plenamente com uma avaliação mental fugaz, perde a sua individualidade e permite que essa abstração dite a sua identidade real, condicionando o seu bem-estar e o seu comportamento em relação ao ambiente.
Erros comuns de identificação absoluta
Aceitar um julgamento severo como um facto irrefutável, como afirmar incapacidade ou falta de inteligência, programa o organismo para agir em estrita consonância com essa falsa limitação.
Essas sentenças extremistas não são verdades absolutas, mas simples agrupamentos de palavras elaboradas pela mente para tentar decifrar a realidade.
Para desativar o seu impacto nocivo, é necessário observar o trânsito das ideias com a mesma passividade com que se contempla o curso de um rio ou a projeção de um filme, compreendendo que o indivíduo é o espectador imutável e não o produto exibido.
Resumo
O cérebro gera reflexões ininterruptamente como parte de sua natureza biológica básica. Tentar reprimir um pensamento específico produz um efeito paradox
a fluidez e a transitoriedade das ideias