Transcrição Uso de beta-alanina e bicarbonato de sódio
O processo de amortecimento ácido intramuscular
Quando as exigências mecânicas do treino atingem o limite do metabolismo anaeróbico, o interior das células musculares é inundado por uma tempestade paralisante de iões de hidrogénio.
Esta queda dramática do pH provoca uma dor ardente que bloqueia a contração e provoca fadiga extrema.
Para contrariar esta asfixia química, surgem dois formidáveis agentes ergogénicos: o bicarbonato de sódio e a beta-alanina.
Ambos os compostos assumem o glorioso papel biológico de "buffers" ou amortecedores; a sua missão consiste em neutralizar o ambiente ácido invasivo, concedendo ao levantador de pesos ou ao velocista a valiosa capacidade de manter um ritmo letal por mais tempo antes de ser forçado a ceder.
Uso agudo do bicarbonato vs. acumulação crónica de carnosina
Apesar de partilharem o mesmo objetivo mitigador, as estratégias de fornecimento de ambos diferem diametralmente.
O bicarbonato tem uma ação iminentemente aguda; a sua ingestão desencadeia uma barreira protetora quase imediata que o atleta deve aproveitar, ingerindo-o poucos minutos antes de entrar na pista de competição. Em contraste, a beta-alanina nunca age rapidamente.
Este aminoácido requer um protocolo rigoroso de acumulação crónica, obrigando o utilizador a consumi-lo religiosamente durante várias semanas consecutivas.
Essa paciência dietética permite que o músculo forme imensos depósitos de carnosina intracelular, o verdadeiro peptídeo que protegerá as fibras no momento crítico do esforço prolongado.
Efeito de parestesia e modulação das doses
A assimilação da beta-alanina acarreta uma resposta neurológica peculiar que costuma desconcertar os atletas incautos.
Consumir a dose diária de uma só vez frequentemente desencadeia um quadro clínico denominado parestesia, caracterizado por uma formigação aguda e incómoda que invade as extremidades táteis, os lóbulos das orelhas e o rosto.
Essa sensação de formigamento, embora medicamente inofensiva, é incómoda para a concentração.
Para contornar habilmente este efeito secundário, a solução clínica exige fragmentar a ração total de três gramas em pequenas porções ingeridas meticulosamente no pequeno-almoço, almoço e jantar, garantindo assim a carga mitocondrial sem sofrer o desagradável choque sensorial.
Resumo
Ambos os compostos atuam fisiologicamente como formidáveis amortecedores para mitigar a ac
uso de beta alanina e bicarbonato de sodio