Transcrição Biomecânica da aceleração
A física do impulso horizontal
A fase de aceleração é o componente crítico que define o início de qualquer corrida de velocidade, dos 60 aos 400 metros.
O objetivo biomecânico primordial nesta fase é transferir o corpo de uma inércia estática (velocidade zero) para a velocidade máxima possível no menor tempo possível.
Para conseguir isso, o atleta deve aplicar forças massivas contra o solo. No entanto, a direção dessas forças é o que determina a eficácia.
Ao contrário da corrida lançada, onde as forças são verticais, na aceleração precisamos de gerar forças horizontais extremas.
Por isso, o velocista adota uma inclinação pronunciada do tronco para a frente (aproximadamente 45 graus). Essa angulação não é estética; é funcional.
Permite alinhar o centro de massas de tal forma que, ao empurrar para trás contra a pista, a reação física projete o atleta para a frente.
A tripla extensão e a linha de força
O conceito técnico central que o treinador deve observar é a "Tripla Extensão".
Isto refere-se à extensão completa e simultânea de três articulações-chave: a anca, o joelho e o tornozelo da perna de impulso.
No momento em que o pé deixa o solo ou o bloco de partida, deve existir uma linha reta perfeita que conecte o ombro, a anca, o joelho e o tornozelo.
Se esta linha for quebrada (por exemplo, se a anca ficar flexionada ou o joelho não se estender), a força se dissipa e não é transmitida eficazmente para o avanço.
O atleta deve sentir que empurra o chão «para trás», como se quisesse mover o mundo sob os seus pés, projetando o seu corpo através dessa linha de força de 45 graus.
Ação de pistão e contrapeso
Enquanto uma perna realiza esta tripla extensão, a perna livre desempenha um papel igualmente vital. Deve ser impulsionada para a frente com uma ação agressiva do joelho alto.
A chave é o «timing»: no momento exato em que a perna de trás atinge a sua extensão máxima, o joelho livre deve estar no seu ponto mais alto à frente. Isto prepara o próximo impacto contra o solo.
O contacto do pé na aceleração deve ocorrer sempre abaixo da anca ou ligeiramente atrás dela («ação de pistão»).
Se o pé pousar à frente do centro de gravidade, ele atua como um travão biomecânico.
Para equilibrar essas forças violentas das pernas, os braços devem agir
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