Transcrição A Curva em J e as Forças Físicas
A geometria da aproximação híbrida
O salto em altura moderno, dominado pelo estilo Fosbury Flop, distingue-se dos outros saltos pela sua corrida de aproximação não linear. Usamos o que é conhecido como uma "Curva em J".
Esta trajetória híbrida combina duas fases com objetivos biomecânicos distintos. A primeira parte é uma corrida em linha reta (geralmente de 3 a 5 passos) projetada para gerar velocidade horizontal pura e ritmo, semelhante a uma aceleração de sprint.
A segunda parte é uma curva fechada (de 4 a 5 passos) que conduz à barra. Esta transição da reta para a curva é o segredo do salto.
O objetivo não é simplesmente chegar ao colchão, mas gerar forças físicas que o atleta não conseguiria produzir correndo em linha reta.
O treinador deve garantir que o atleta não «corte» a curva (tornando-a demasiado plana) nem a inicie demasiado cedo, uma vez que a integridade deste traçado geométrico é o que permite a rotação necessária no ar sem esforço muscular consciente.
A geração de força centrífuga
A magia da curva reside na física da força centrífuga. Quando um corpo se desloca a alta velocidade por uma trajetória curva, é gerada uma força que empurra para fora.
Para não ser projetado tangencialmente, o saltador deve inclinar-se para o interior da curva. Esta inclinação (lean) cria um ângulo entre o corpo e o solo.
Quanto mais rápido o atleta corre e mais fechada é a curva, maior é a inclinação necessária. Esta posição inclinada armazena energia potencial.
No momento da descolagem, quando o pé se apoia e freia o movimento horizontal, essa força centrífuga é libertada, agindo como uma catapulta que ajuda a lançar o atleta verticalmente e, crucialmente, facilita a rotação de costas para a barra.
Sem curva, não há rotação fluida; o atleta teria que "forçar" a rotação com os ombros, perdendo altura
A integridade da inclinação corporal
Um erro técnico frequente é inclinar-se dobrando a cintura ou baixando o ombro interno. O treinador deve insistir que a inclinação seja "a partir do tornozelo".
O corpo deve comportar-se como uma prancha rígida que se inclina em bloco em direção ao centro do círculo imaginário da curva. Isto alinha o centro de massas corretamente.
Se o atleta se dobrar pela cintura, perde a tensão na cadeia lateral e, ao descolar, o seu corpo
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