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Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC)

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Transcrição Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC)


O Modelo ABC da Perturbação Emocional

Albert Ellis revolucionou a psicoterapia ao introduzir um esquema que desmantelou a crença popular de que os eventos externos causam diretamente as nossas emoções. O seu modelo está estruturado em três componentes sequenciais.

O «A» representa o Evento Ativador (Activating Event), que é a situação real, o facto objetivo que ocorre na realidade ou uma experiência interna.

O «C» simboliza as Consequências emocionais e comportamentais que a pessoa experimenta.

A contribuição crucial de Ellis é o «B» (Beliefs ou Sistema de Crenças), que atua como mediador indispensável.

Não é o evento (A) que gera a tristeza ou a raiva (C), mas a interpretação ou crença (B) que o indivíduo tem sobre esse evento.

Se mudarmos B, inevitavelmente transformaremos C, dando ao indivíduo o poder de regular as suas reações.

Natureza das crenças irracionais

No núcleo da patologia, de acordo com a TREC, encontram-se as crenças irracionais.

Estas são definidas por serem rígidas, absolutistas e não concordantes com a realidade empírica.

Ellis identificou que essas ideias costumam interferir na sobrevivência e na felicidade do indivíduo, gerando comportamentos autodestrutivos ou sabotadores.

Ao contrário das crenças racionais, que se expressam como preferências ou desejos ("Gostaria de ser aprovado"), as irracionais manifestam-se como dogmas inquestionáveis.

Essas distorções filosóficas são a raiz do sofrimento neurótico e se mantêm ativas por meio de um processo de auto-doutrinação constante, em que a pessoa repete essas ideias falsas até assumi-las como verdades absolutas.

Classificação das exigências absolutistas

Ellis categorizou as crenças irracionais em três grandes grupos de exigências dogmáticas, conhecidas como "devo" e "tenho que".

Exigências para consigo mesmo: «Devo fazer as coisas perfeitamente e ganhar a aprovação dos outros, ou então sou um inútil». Isto gera ansiedade e depressão.

Exigências em relação aos outros: «Os outros devem tratar-me com gentileza e justiça, caso contrário, são desprezíveis». Isto alimenta a raiva e a hostilidade.

Exigências em relação ao mundo: «As condições de vida devem ser confortáveis e fáceis, caso contrário, são terríveis e insuportáveis». Isto leva a uma baixa tolerância à frustração e à autocompaixão.

Identificar em qual dessas categorias se enquadra o pensamento do paciente é o primeiro passo para a mudança.

Resumo

Albert Ellis revolucionou a terapia com o seu modelo ABC, demonstrando que os eventos externos (A) não causam diretamente as emoções (C), mas que estas dependem das nossas crenças (B).

No núcleo da patologia encontram-se as crenças irracionais, definidas por serem rígidas e dogmáticas. Estas distorções filosóficas interferem com a felicidade e geram comportamentos autodestrutivos.

Ellis classificou essas exigências em três grupos absolutistas: exigências para consigo mesmo, para com os outros e para com o mundo. Identificar esses dogmas é o primeiro passo para a mudança.


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