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Flexibilidade vs. Rigidez Psicológica

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Transcrição Flexibilidade vs. Rigidez Psicológica


A rigidez psicológica como raiz da psicopatologia

Na perspetiva da ACT, a maioria dos distúrbios psicológicos não são «doenças» no sentido médico tradicional, mas manifestações de uma mesma raiz: a rigidez psicológica.

A rigidez ocorre quando os nossos comportamentos são dirigidos exclusivamente por regras verbais antigas, medos ou tentativas de evitação, em vez de serem adaptados ao que a situação presente exige e ao que é importante para nós.

É a incapacidade de mudar de rumo ou de persistir num comportamento quando isso seria benéfico.

Imaginemos um jardineiro que tem uma regra rígida: «Devo regar as plantas todos os dias às 8h00».

Se um dia estiver a chover torrencialmente e ele sair para regar mesmo assim porque «é a regra», está a agir com rigidez. Está a ignorar o contexto (já há água) para seguir a instrução mental.

Na saúde mental, isso é observado quando alguém continua a isolar-se (comportamento) porque sente tristeza (evento interno), apesar de que isolar-se o faz sentir mais triste a longo prazo.

A pessoa torna-se insensível às consequências reais dos seus atos porque está fundida com a instrução da sua mente que lhe diz «não saia, não está com disposição».

A rigidez reduz o nosso repertório de respostas, tornando a nossa vida cada vez mais pequena e limitada.

Flexibilidade como capacidade de adaptação contextual

O objetivo final do tratamento é desenvolver a flexibilidade psicológica. Isso não significa "pensar positivo" ou ser sempre feliz, mas ter a capacidade de estar em contato consciente com o momento presente — tanto com o agradável quanto com o desagradável — e, com base nessa consciência, mudar ou persistir em um comportamento a serviço dos nossos valores.

É a capacidade de sentir medo e, mesmo assim, dar um passo em frente se isso for o que importa naquele momento. Podemos usar a metáfora de um salgueiro diante de um carvalho durante uma tempestade.

O carvalho é duro, forte e rígido; parece invencível, mas se o vento for muito forte, ao não conseguir dobrar-se, irá partir-se.

O salgueiro, por outro lado, é flexível; dobra-se com o vento, move-se com a tempestade, não luta contra ela e, por isso, sobrevive e recupera a sua forma.

A flexibilidade psicológica permite-nos adaptar-nos às tempestades emocionais sem nos partirmos.

Permite-nos perceber que estamos a ter o pensamento «não consigo fazer isso», reconhecê-lo como um simples evento mental e, mesmo assim, tomar a ação de fazê-lo.

É a liberdade de escolher a nossa resposta em vez de reagir automaticamente aos nossos impulsos e pensamentos programados.

Resumo

Na ACT, a psicopatologia não é vista como uma doença, mas como o resultado da rigidez psicológica: agir guiado por regras verbais e evitação, em vez de pelo contexto presente.

A rigidez torna-nos insensíveis às consequências reais dos nossos atos, mantendo-nos em comportamentos ineficazes simplesmente para obedecer a instruções mentais, o que reduz e limita o nosso repertório vital.

O objetivo do tratamento é desenvolver flexibilidade psicológica, permitindo-nos adaptar-nos às tempestades emocionais sem nos quebrarmos, para persistir ou mudar de comportamento a serviço do que realmente valorizamos.


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