Transcrição Evidência empírica e alcance d
O apoio científico e o reconhecimento institucional d
Embora a ACT seja uma terapia mais recente em comparação com a psicanálise ou a TCC clássica, acumulou um conjunto de evidências científicas extremamente robusto e em rápido crescimento nas últimas décadas.
Não se trata de uma pseudoterapia ou de uma moda passageira, mas de uma intervenção baseada na ciência básica do comportamento e da linguagem.
Organismos de prestígio internacional, como a Divisão 12 da Associação Americana de Psicologia (APA), avaliaram rigorosamente os estudos disponíveis e concederam à ACT o estatuto de tratamento com suporte empírico «modesto» ou «forte» para várias condições. Especificamente, as evidências são contundentes no tratamento da dor crónica.
Os estudos demonstram que, embora a ACT nem sempre reduza a intensidade física da dor (algo que às vezes é medicamente impossível), ela melhora drasticamente a funcionalidade dos pacientes.
As pessoas deixam de esperar que a dor desapareça para viver e começam a recuperar os seus passatempos, relações e empregos, reduzindo a incapacidade associada.
Além disso, existem meta-análises (estudos que combinam resultados de muitas pesquisas) que comprovam a sua eficácia para a depressão, distúrbios de ansiedade mistos, transtorno obsessivo-compulsivo e psicose.
Mesmo em áreas da saúde física, como o controlo da diabetes ou o tratamento do zumbido (tinido nos ouvidos), a ACT demonstrou ajudar os pacientes a aderir melhor aos seus tratamentos e a reduzir o impacto emocional das suas condições médicas, validando a sua utilidade para além da saúde mental estrita.
A perspetiva transdiagnóstica: além dos rótulos
Um dos grandes pontos fortes deste modelo é a sua natureza transdiagnóstica.
Na psiquiatria e psicologia tradicionais, tendemos a categorizar as pessoas por meio de rótulos diagnósticos específicos: "Transtorno de Pânico", "Depressão Maior", "Ansiedade Social", etc.
Isso muitas vezes leva ao desenvolvimento de protocolos de tratamento rígidos e diferentes para cada rótulo.
A ACT propõe que, embora os sintomas superficiais variem, os processos subjacentes que mantêm o sofrimento humano são notavelmente semelhantes em quase todos os transtornos.
A teoria sugere que a raiz do problema não é a ansiedade ou a tristeza em si, mas a rigidez psicológica e a «evitação experiencial»: a tentativa inflexível de não sentir o que sentimos.
Por exemplo, uma pessoa que bebe álcool em excesso (dependência), uma pessoa que se recusa a sair de casa (agorafobia) e uma pessoa que dorme 14 horas por dia (depressão) podem estar a usar comportamentos diferentes para atingir o mesmo objetivo: evitar o contacto com pensamentos dolorosos, memórias traumáticas ou sensações de vazio.
Como o motor do problema é o mesmo (a evitação e a fusão com o pensamento), a solução também é transversal.
As ferramentas da ACT (aceitação, defusão, valores) são universalmente aplicáveis.
Não tratamos «a depressão» ou «o vício» como entidades separadas, mas sim um ser humano preso numa luta contra a sua própria experiência interna, ensinando-o a flexibilizar a sua resposta a qualquer tipo de mal-estar.
Resumo
A ACT conta com um suporte científico robusto e crescente, sendo reconhecida por organismos internacionais como a APA como um tratamento com suporte empírico «modesto» ou «forte» para diversas condições.
A evidência é especialmente contundente no tratamento da dor crónica e de doenças físicas, onde melhora drasticamente a funcionalidade e a adesão ao tratamento, além da redução dos sintomas.
A sua abordagem transdiagnóstica sugere que os transtornos compartilham processos subjacentes de rigidez e evitação, pelo que as suas ferramentas de flexibilidade são aplicáveis transversalmente, para além dos rótulos diagnósticos específicos.
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