Transcrição Definição e natureza dos valores
A distinção fundamental entre a bússola e o destino
No âmbito desta terapia, um dos erros conceptuais mais frequentes é confundir valores com objetivos.
Para trabalhar eficazmente na direção vital, é imperativo estabelecer uma distinção clara entre ambos.
Os objetivos são metas finitas, tangíveis e alcançáveis; são coisas que podem ser concluídas, riscadas de uma lista e deixadas para trás uma vez alcançadas. Por exemplo, «escrever um livro», «casar» ou «comprar uma casa» são objetivos.
Depois de ter a casa, o objetivo está concluído.Por outro lado, os valores são direções de vida escolhidas.
Nunca podem ser «concluídos» ou «alcançados» de forma definitiva; são qualidades de ação contínua.
Funcionam como uma bússola: indicam o Norte, mas por mais que caminhe para o Norte, nunca chega a um lugar chamado «Norte» onde possa sentar-se e dizer «cheguei, a viagem acabou». Pode sempre continuar a mover-se para o Norte.
Se o valor de uma pessoa é «ser criativo», não existe um momento na vida em que ela possa dizer «já fui 100% criativo, não preciso mais ser».
Pode pintar um quadro (objetivo), mas o valor da criatividade continua disponível para guiar a próxima ação.
Compreender isto alivia a crise da «meta alcançada» (o vazio que se sente ao atingir um grande objetivo) e proporciona uma motivação inesgotável que não depende do sucesso externo.
Os valores como qualidades globais da ação (advérbios de vida)
Tecnicamente, é útil pensar nos valores não como substantivos (amor, justiça), mas como advérbios ou verbos de ação.
Os valores definem como queremos nos comportar enquanto fazemos o que fazemos. Não se trata do que você tem, mas de como você age.
Imaginemos duas pessoas que partilham o mesmo objetivo: preparar um jantar para amigos.
A primeira pessoa faz isso com pressa, estressada, gritando na cozinha porque quer impressionar e que digam que é um bom cozinheiro.
A segunda pessoa prepara o mesmo jantar, mas fá-lo com carinho, apreciando os aromas, conversando afetuosamente enquanto corta os legumes e concentrada em cuidar dos seus convidados.
Ambas cumprem o objetivo (o jantar está servido), mas a qualidade da ação é radicalmente diferente.
A segunda pessoa está ligada aos valores de «cuidado», «presença» e «amor». Os valores tingem a ação.
Isso é libertador porque significa que podemos viver os nossos valores em quase todas as circunstâncias.
Mesmo em tarefas mundanas como limpar a casa ou preencher um relatório burocrático, podemos escolher fazê-lo com valores de «ordem», «diligência» ou «serviço».
Não precisamos mudar radicalmente de vida para começar a viver com valores; só pre
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