Transcrição Condições terapêuticas essenciais
A base humanista: validação e aceitação incondicional
Embora a ACT seja uma terapia com uma forte componente tecnológica e comportamental, os seus fundamentos relacionais são profundamente humanistas, inspirando-se na terapia centrada na pessoa.
Antes de poder desafiar a rigidez de um cliente ou pedir-lhe que realize exercícios de exposição, é imperativo estabelecer um contexto de segurança absoluta.
Isto é conseguido através da empatia, da autenticidade e da aceitação incondicional. A validação é a principal ferramenta aqui.
Muitos clientes chegam à consulta sentindo-se envergonhados dos seus sintomas («não devia sentir-me assim», «sou fraco por ter ansiedade»).
O terapeuta contraria isso validando a função e a origem do sofrimento. Não se trata de concordar com comportamentos prejudiciais, mas de entender por que eles ocorrem.
Se um cliente relata que tem bebido para esquecer uma separação, a resposta não é o julgamento, mas a compreensão compassiva: «Faz todo o sentido do mundo que queira apagar essa dor tão intensa; a sua mente está a tentar protegê-lo do sofrimento da maneira mais rápida que conhece».
Ao validar a intenção por trás do comportamento (a busca por alívio), reduz-se a defesa do cliente e abre-se a porta para explorar, sem culpa, se essa estratégia está a funcionar a longo prazo.
Sem essa base de aceitação radical, as técnicas da ACT podem parecer frias ou invalidantes.
Normalização da experiência: «Estagnado, não quebrado»
Uma das intervenções mais curativas na relação terapêutica é a reformulação da identidade do cliente.
O sistema médico e social tende a rotular o sofrimento como uma avaria: «tem um desequilíbrio», «tem um distúrbio». A ACT desafia esta narrativa da imperfeição.
O terapeuta transmite, explícita e implicitamente, a mensagem: «Você não está quebrado; você está estagnado». A distinção é crucial. Uma máquina quebrada precisa ser consertada ou substituída.
Uma pessoa estagnada simplesmente caiu numa armadilha (a armadilha da linguagem e da evitação) que é comum a toda a espécie.
O terapeuta normaliza os sintomas, explicando-os como o resultado de ter um cérebro evoluído para a sobrevivência no mundo moderno.
«A sua mente está a fazer exatamente aquilo para que foi concebida: detetar perigos e evitar a dor.
O problema não é que a sua mente funcione mal, mas que está a aplicar regras de sobrevivência física ao seu mundo emocional, e isso deixou-o preso na lama."
Ao despatologizar a experiência interna (ouve vozes críticas não porque é louco, mas porque tem uma mente humana), o cliente recupera a digni
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