Transcrição O poder da diversão
A diversão como necessidade biológica do vínculo
Quando os investigadores perguntam aos casais mais felizes e duradouros qual é o seu segredo, a resposta número um não costuma ser «boa comunicação» ou «valores partilhados», mas simplesmente: «divertimo-nos juntos».
O jogo e a diversão não são atividades frívolas reservadas para crianças ou namorados; são a cola biológica da relação adulta.
Partilhar risos e atividades agradáveis liberta dopamina e oxitocina, neuroquímicos que associam a presença do parceiro ao bem-estar e ao prazer.
Quando o relacionamento se torna exclusivamente sério, cheio de contas, problemas e logística, o cérebro deixa de procurar o outro como fonte de recompensa.
É fundamental distinguir entre atividades paralelas e atividades conjuntas interativas.
Ver televisão juntos no sofá (atividade paralela) pode ser relaxante, mas raramente constrói uma conexão profunda porque a atenção está no ecrã, não no outro.
A verdadeira conexão surge das atividades conjuntas onde há interação, cooperação ou brincadeira: cozinhar uma receita nova, sair para caminhar, jogar jogos de tabuleiro, dançar ou praticar um desporto.
Essas experiências criam um "nós" dinâmico e vital, quebrando a monotonia do isolamento acompanhado.
Reclamando o espaço para brincar
Muitos casais deixam de brincar porque acreditam que já não têm tempo ou porque consideram que é imaturo. No entanto, a brincadeira é essencial para manter a erotismo e a amizade.
Não se trata de competir agressivamente (o que pode ser contraproducente se gerar hostilidade), mas de partilhar uma experiência lúdica.
Pode ser algo tão simples como ter piadas privadas, usar o humor para desativar tensões ou planear encontros que quebrem a rotina habitual. A novidade é um afrodisíaco poderoso para o cérebro.
Para integrar isso, os casais devem proteger o tempo de lazer com a mesma ferocidade com que protegem os seus compromissos profissionais.
Não se pode deixar a diversão "para quando sobrar tempo", porque nunca sobra. É preciso agendá-la.
Explorar novos interesses juntos ou aderir ao hobby um do outro (com atitude de principiante e curiosidade) pode revitalizar o vínculo.
O objetivo é criar um reservatório de memórias felizes e momentos de leveza que sirva
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