Separação entre culpa pessoal e profissional
Pedir desculpa por falhas do sistema
Na prática diária do apoio corporativo, deparamo-nos frequentemente com complicações decorrentes do próprio desconhecimento do comprador ou de uma utilização indevida do produto adquirido.
Apesar de a responsabilidade recair sobre a falta de perícia do consumidor, o dever ético do atendimento dita que nunca se deve adotar um tom de superioridade, sugerindo que a pessoa não está capacitada para utilizar as ferramentas.
Ninguém deve fazer comentários degradantes em nenhuma circunstância profissional.
Embora a empresa não tenha cometido o erro e nós, como mediadores, não tenhamos a obrigação estrita de compensar um dano alheio, colocar-nos na posição do outro muda o panorama.
Ao assumirmos uma postura compassiva perante um utilizador frustrado com a sua própria incapacidade técnica e ao pedirmos desculpa pela frustração inerente ao processo, conseguimos transformar a hostilidade em alívio.
Intervir desta forma, dedicando apenas alguns minutos a facilitar a sua aprendizagem, altera radicalmente o cenário adverso, transformando-o num triunfo retumbante para o prestígio institucional.
O representante como rosto visível da entidade
As estruturas empresariais modernas podem ser complexas e impessoais, o que faz com que as frustrações alheias se projetem diretamente sobre o pessoal de atendimento ao cliente.
Durante uma disputa, quem adquire o serviço vê-nos como a personificação integral da marca, tornando-nos o alvo principal da sua irritação, mesmo que as nossas ações não tenham qualquer relação com a origem da sua reclamação.
Esta circunstância pode parecer profundamente injusta de uma perspetiva individual, mas trabalhar na linha de contacto exige que se aceite esta realidade estrutural.
Infelizmente, o descontentamento prévio predispõe o indivíduo a antecipar um tratamento negligente recorrente.
Consequentemente, a nossa missão transcende a mera resolução do inconveniente pontual; possuímos a capacidade inestimável de restaurar os alicerces da confiança comercial através da paciência e do profissionalismo.
Ao atuarmos como mediadores dignos, demonstramos que todas as pessoas merecem ser tratadas com respeito, neutralizando assim o efeito desumanizador que a raiva costuma provocar nos conflitos comerciais mais agudos.
Resumo
Desvincular a responsabilidade pessoal do dever corporativo permite oferecer desculpas sinceras sem sentir que o nosso orgulho profissional está a ser atacado diretamente pelo utilizador insatisfeito.
Perante o comprador enfurecido, somos a personificação absoluta da marca comercial, pelo que qualquer retificação deve ser proferida assumindo um papel de representação institucional.
Reconhecer as deficiências técnicas do sistema ou os erros operacionais demonstra uma profunda capacidade empática e facilita imediatamente a resolução pacífica de qualquer inconveniente técnico ocorrido.
separacao entre culpa pessoal e profissional