Transcrição Diferença entre stress agudo e TEPT
O critério temporal como fator diferencial
A distinção entre Transtorno de Estresse Agudo (TEA) e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) não reside necessariamente na natureza dos sintomas, que geralmente se sobrepõem, mas na cronologia.
O TEA é diagnosticado quando a sintomatologia aparece imediatamente após o evento e persiste por três dias até um máximo de um mês.
Se os sintomas (revivência, evitação, alerta) continuarem presentes após 30 dias, o diagnóstico evolui para um TEPT.
É vital compreender esta linha temporal para não patologizar prematuramente uma reação de adaptação normal a um evento anormal.
A resposta esperada vs. a patologia
É clinicamente esperado, e até mesmo adaptativo, que uma pessoa que sofreu um assalto ou um acidente grave experimente insónia, medo e memórias intrusivas durante as primeiras semanas.
O sistema nervoso está a processar uma ameaça vital. O TEA é considerado uma reação inicial de «choque».
A patologia se estabelece quando o cérebro não consegue integrar a experiência e o sistema de alarme permanece "ligado" cronicamente.
A passagem do stress agudo para o TEPT implica que os mecanismos naturais de recuperação foram bloqueados, impedindo que a memória seja arquivada como um evento passado e mantendo-a como uma ameaça presente.
Trajetórias de evolução: recuperação ou cronicidade
Após o primeiro mês crítico, existem dois caminhos principais: a recuperação espontânea ou a cronicidade para o TEPT.
Muitos indivíduos conseguem, com o apoio social adequado e os seus próprios recursos, reduzir a intensidade dos sintomas para níveis subclínicos.
No entanto, quando a evitação é grave e as interpretações cognitivas do evento são muito negativas (culpa, visão de um mundo totalmente perigoso), a recuperação estagna.
O terapeuta deve monitorizar essa transição para intervir se a «ferida» psicológica não mostrar sinais de cicatrização natural após um mês.
Resumo
A principal distinção é cronológica. O stress agudo aparece imediatamente e dura até um mês; se os sintomas persistirem além dos 30 dias, o diagnóstico evolui clinicamente para um TEPT.
É esperado e adaptativo sofrer sintomas iniciais enquanto a ameaça é processada. A patologia surge quando o sistema de alarme fica bloqueado e permanece ativado cronicamente, impedindo que a experiência seja integrada.
Após o primeiro mês crítico, a evolução pode levar à recuperação espontânea ou à cronicidade. A intervenção é necessária se a evitação severa e as interpretações negativas impedirem a cicatrização natural.
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