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Escassez e senso de urgência

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Transcrição Escassez e senso de urgência


Valorização do que é limitado em quantidade ou tempo

A psicologia humana tende a atribuir maior valor ao que percebe como escasso ou difícil de obter.

Este fenómeno, conhecido como princípio da escassez, sugere que as oportunidades nos parecem mais valiosas quando a sua disponibilidade é limitada.

Se um consumidor sabe que um artigo é abundante, pode adiar a compra indefinidamente; no entanto, se perceber que o stock é baixo ou que se trata de uma «edição limitada», o seu desejo pelo objeto aumenta.

Isto deve-se, em parte, ao facto de associarmos a dificuldade de obtenção com a qualidade: se algo é raro, assumimos que deve ser bom.

Além disso, quando a disponibilidade de um produto diminui devido a uma alta demanda social, instintos competitivos são ativados, levando-nos a querer garantir o artigo antes dos outros.

O medo de perder uma oportunidade (FOMO) como motor de ação

A escassez funciona ativando o medo da perda, especificamente o medo de perder a liberdade de escolha ou a oportunidade de adquirir algo no futuro.

Quando nos dizem que uma oferta é por «tempo limitado» ou que «a promoção termina amanhã», sentimos uma pressão psicológica conhecida como reactância; ao vermos ameaçada a nossa liberdade de comprar o produto mais tarde, reagimos desejando-o com mais força agora.

As empresas utilizam temporizadores de contagem regressiva ou avisos de "últimas unidades" para criar uma urgência artificial que bloqueia o pensamento analítico e força uma decisão rápida.

A dor potencial de se arrepender por não ter agido a tempo (FOMO) costuma ser um motivador mais forte do que o prazer do ganho em si.

Ética no uso da escassez: evitar a falsa urgência

Embora eficaz, a escassez pode ser uma faca de dois gumes se for abusada ou usada de forma enganosa.

Criar uma falsa sensação de urgência — por exemplo, dizer que só resta um lugar num voo quando há muitos, ou que uma oferta digital expira quando, na verdade, é renovada automaticamente — pode destruir a confiança do consumidor a longo prazo. Para manter a integridade, a escassez deve ser autêntica.

Se for anunciado que um curso tem vagas limitadas porque o instrutor só pode atender 10 pessoas, isso é uma escassez natural e ética.

Usar a escassez de forma honesta ajuda os clientes a deixar de procrastinar, mas fabricá-la artificialmente é considerado uma tática manipuladora que acaba prejudicando a reputação da marca.

Resumo

Instintivamente, atribuímos maior valor ao que percebemos como escasso ou limitado. A baixa disponibilidade aumenta o desejo e ativa a competição para garantir o artigo antes dos outros.

A escassez funciona ativando o medo de perder a liberdade de escolha (reactância). A urgência bloqueia o pensamento analítico e motiva uma ação rápida para evitar o arrependimento futuro.

Para manter a integridade, a escassez deve ser autêntica e não fabricada. A falsa urgência destrói a confiança a longo prazo, enquanto a honestidade ajuda o cliente a não procrastinar.


escassez e senso de urgencia

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