Transcrição METÁFORAS DE INTERVENÇÃO
A armadilha chinesa dos dedos (luta contra a ansiedade)
As metáforas experienciais são pilares da ACT para desativar a luta lógica contra as emoções.
A metáfora da «armadilha chinesa para dedos» ilustra perfeitamente o paradoxo do controlo.
Este brinquedo prende os dedos indicadores; quanto mais se puxa para fora para escapar, mais a armadilha se fecha.
A única forma de se libertar é empurrar para dentro, para o centro, o que é contraintuitivo.
Aplicado a um arqueiro que sente um leve tremor no pulso antes do tiro: seu instinto é lutar contra o tremor, tensionando os músculos para forçar a quietude (puxar para fora). Isso invariavelmente aumenta a tensão e o tremor.
A intervenção psicológica ensina a «empurrar para dentro»: relaxar a resistência, aceitar que o tremor está presente e permiti-lo.
Ao deixar de lutar contra a sensação (soltar a armadilha), recupera a liberdade de movimento necessária para executar o tiro com fluidez, rendendo-se ao tremor em vez de ficar paralisado por tentar eliminá-lo.
O autocarro e os passageiros (pensamentos perturbadores)
Outra metáfora central é a do «autocarro». O atleta é o motorista de um autocarro que deve seguir uma rota (a sua carreira desportiva ou o plano de jogo). Os passageiros são os seus pensamentos, memórias e emoções críticas.
Alguns passageiros são intimidadores e gritam do fundo: «Vira à direita, desiste, não serves para isto!». Imaginemos uma corredora de 400 metros com barreiras na linha de partida.
Os seus «passageiros» (dúvidas sobre a sua preparação, medo de tropeçar) começam a gritar e a ameaçar.
Se ela parar o autocarro para discutir com eles ou tentar expulsá-los antes de arrancar, não correrá a prova.
A intervenção ensina-a a conduzir o autocarro até à meta enquanto os passageiros gritam.
Aprende que não precisa que eles se calem para poder conduzir; o seu trabalho é manter as mãos no volante e o pé no acelerador, permitindo que os passageiros façam barulho sem que isso altere a sua direção.
Resumo
As metáforas experienciais são pilares para desativar a luta contra as emoções. A "armadilha chinesa dos dedos" ilustra o paradoxo do controlo: quanto mais se luta para escapar da ansiedade, mais ela prende.
A solução contraintuitiva é parar de lutar e relaxar em direção à sensação. Ao aceitar a presença do tremor ou do medo sem resistência, recupera-se a liberdade de movimento necessária para uma execução fluida.
A metáfora do «Autocarro» apresenta o atleta como motorista e os pensamentos como passageiros barulhentos. A chave é manter a direção para o objetivo, permitindo que os passageiros gritem sem parar para discutir.
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