Transcrição EFICIÊNCIA DE PROCESSAMENTO E DISTRAÇÕES
Como a ansiedade reduz a capacidade da memória de trabalho
A ansiedade competitiva afeta diretamente a eficiência com que o cérebro processa as informações.
Em situações calmas, o atleta pode analisar o ambiente, processar vários sinais e tomar decisões ótimas.
No entanto, sob stress, a ansiedade consome recursos da memória de trabalho, reduzindo a largura de banda disponível para tarefas relevantes.
Isso se traduz em uma incapacidade de ler o jogo corretamente ou antecipar as ações do adversário.
Um base no basquetebol, num momento de baixa pressão, pode ver a posição dos seus quatro companheiros e a defesa adversária simultaneamente para escolher o melhor passe.
Mas se a ansiedade disparar nos segundos finais, o seu processamento torna-se ineficiente; o seu cérebro deixa de processar o panorama completo e pode desenvolver uma «visão de túnel», fixando-se apenas no defensor à sua frente ou no relógio, perdendo de vista um companheiro desmarcado debaixo do cesto. A ansiedade sequestra a capacidade de análise tática.
O papel do hipocampo na deteção de ameaças
A nível neurobiológico, a interação entre o hipocampo e o córtex pré-frontal é fundamental. O hipocampo atua como um detetor de ameaças.
Quando o atleta percebe perigo (medo de falhar, pressão social), o hipocampo torna-se hiperativo, desviando a atenção para os estímulos ameaçadores em vez de para os objetivos da tarefa.
O córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões racionais, é anulado por essa resposta de sobrevivência. Consideremos um piloto de corridas.
O seu córtex pré-frontal deveria estar focado na linha de corrida ideal e nos pontos de travagem.
No entanto, se o seu hipocampo detectar uma «ameaça» excessiva pela proximidade de outro carro ou pelo medo de um acidente, a sua atenção será compulsivamente desviada para os espelhos retrovisores ou para os muros de contenção (a ameaça), em vez de para a pista livre (a solução), o que, paradoxalmente, aumenta a probabilidade de cometer um erro ao perder o foco na condução eficiente.
Resumo
A ansiedade competitiva reduz drasticamente a eficiência do processamento mental. O stress consome os recursos da memória de trabalho, diminuindo a capacidade de ler o jogo e tomar decisões táticas complexas.
Sob pressão, o cérebro perde a visão global e desenvolve uma "visão de túnel". A atenção fixa-se compulsivamente em ameaças ou elementos irrelevantes, impedindo o atleta de perceber soluções claras no ambiente.
Ao nível cerebral, o hipocampo atua detetando perigos e desviando a atenção para eles. Isto anula o córtex pré-frontal responsável pela lógica, priorizando respostas de sobrevivência em detrimento da execução desportiva racional.
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