Transcrição Tipos de aceitação
A transação comercial da aceitação condicional
A maioria das interações sociais e muitos relacionamentos de casal operam sob um paradigma de "aceitação condicional", que se assemelha mais a uma transação comercial do que a um vínculo humano profundo.
Nesse modelo, o afeto e o sentimento de pertencimento são concedidos apenas se a outra pessoa cumprir certos requisitos, adotar crenças específicas ou se comportar de uma maneira que nos seja confortável e conveniente.
É como se o relacionamento fosse um clube exclusivo onde a adesão é renovada diariamente com base no desempenho.
Se você aceitar a minha ideologia, se agir como eu espero, se validar o meu ego, então você é bem-vindo; caso contrário, você é rejeitado.
Imaginemos um cenário em que um grupo de pessoas convida um estranho a juntar-se à sua atividade apenas se ele aceitar primeiro os seus dogmas ou comprar o seu produto.
Essa dinâmica gera uma barreira imediata de desconfiança, pois o indivíduo percebe que não é valorizado por sua essência, mas por sua utilidade ou conformidade.
Quando sentimos que devemos «conquistar» o direito de existir num espaço ou relacionamento, a nossa autenticidade se retrai. Colocamos máscaras e agimos para evitar a expulsão.
A aceitação condicional comunica: «Eu amo-te, mas apenas se fores uma versão modificada de ti mesmo que me agrada».
Isso impede qualquer intimidade real, pois o amor é percebido como um salário que pode ser cortado diante de qualquer falha.
O refúgio seguro da aceitação radical
Em contraste, a aceitação incondicional é o substrato onde floresce a lealdade inabalável.
Ocorre quando alguém nos vê no nosso pior momento; quando falhamos, quando estamos vulneráveis ou mesmo quando agimos com egoísmo; e, em vez de retirar o seu afeto, decide permanecer ao nosso lado.
Não se trata de aplaudir os erros ou tolerar o abuso, mas de separar o valor intrínseco da pessoa dos seus comportamentos transitórios.
É a capacidade de dizer: «O que fizeste não foi certo, mas continuas a ser valioso para mim e vamos enfrentar as consequências juntos».
Consideremos o caso de uma pessoa que, devido a uma série de más decisões financeiras e pessoais, perde a sua estabilidade e acaba numa situação legal complicada e vergonhosa. Ela esperaria, sob a lógica condicional, ser repudiada pelo seu parceiro ou amigos.
No entanto, se ao confessar o seu erro encontrar uma resposta compassiva que diga: «Vejo a sua dor e o seu erro, mas não o defino por isso; vamos superar isto», ocorre uma profunda transformação interna.
Essa segurança psicológica permite que a pessoa baixe todas as suas defesas e se comprometa genuinamente com a mudança, não por medo da punição, mas por gratidão e amor.
A aceitação radical não habilita o mau comportamento; na verdade, geralmente vem acompanhada de limites firmes para o futuro, mas oferece a plataforma de segurança necessária para que a pessoa possa crescer e se corrigir.
RESUMO
A aceitação condicional funciona como um contrato comercial em que o afeto é concedido apenas em troca de conformidade e bom comportamento, obrigando a pessoa a usar máscaras para não ser rejeitada.
Por outro lado, a aceitação incondicional distingue entre a pessoa e os seus erros, oferecendo um refúgio seguro mesmo nos momentos de maior falha, o que promove uma lealdade e uma transformação profundas.
Este tipo de amor radical não implica falta de limites, mas a decisão consciente de valorizar a essência do ser humano acima das suas circunstâncias temporárias, permitindo o crescimento real.
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