Transcrição Papéis e direitos
A imaturidade do foco nos direitos
Existe uma distinção fundamental na mentalidade humana que define a qualidade da nossa participação nas relações: o foco nos direitos versus o foco nas responsabilidades.
Uma mentalidade centrada nos «direitos» é, em essência, infantil. Assemelha-se à atitude de uma criança numa loja de doces a gritar «eu quero, eu mereço, é injusto!».
No contexto adulto, isso se traduz em pessoas obcecadas com o que o parceiro, a vida ou a sociedade "lhes deve". "Tenho o direito de que você me faça feliz", "tenho o direito de que você me aceite como sou, sem que eu faça nenhum esforço".
Essa perspectiva egocêntrica bloqueia o crescimento relacional porque coloca o foco exclusivamente na recepção e na exigência.
Quem vive reivindicando seus direitos costuma negligenciar seus deveres, tornando-se um juiz severo das falhas alheias, enquanto permanece cego para as suas próprias.
Se entrarmos numa relação com uma lista de exigências baseadas nos nossos «direitos», estaremos a preparar o terreno para o conflito e a insatisfação crónica, uma vez que ninguém poderá satisfazer uma procura infinita de validação externa.
A definição do papel através da responsabilidade
Por outro lado, a maturidade define-se pela assunção voluntária de responsabilidades.
O verdadeiro «papel» que ocupamos num relacionamento (seja como parceiro, pai, amigo ou líder) não é determinado pelo nosso género, título ou estatuto, mas sim pelo que decidimos assumir.
Um «homem forte» ou uma «mulher forte» não são estereótipos físicos, mas pessoas que decidem: «Eu assumo a responsabilidade pela minha estabilidade emocional, pela minha contribuição financeira, pela minha honestidade e pela minha lealdade». O papel ativo é construído através da oferta, não da procura.
Ao perguntarmos «o que posso contribuir aqui?» em vez de «o que posso tirar daqui?», mudamos a dinâmica da escassez para a generosidade.
Assumir a responsabilidade é um ato de poder pessoal; tira-nos da passividade e torna-nos criadores da relação.
Se quisermos definir quem somos na relação, devemos olhar para as nossas ações e compromissos, não para as nossas expectativas.
A identidade sólida no casal é forjada ao cumprir consistentemente as responsabilidades que escolhemos livremente aceitar.
RESUMO
Focar nos "direitos" e no que se acredita merecer é uma postura imatura e infantil que gera exigências constantes e cegueira em relação às próprias obrigações dentro do relacionamento.
A verdadeira maturidade e o papel que desempenhamos são definidos pela capacidade e vontade de assumir responsabilidades concretas, transformando a exigência passiva numa contribuição ativa e consciente.
Ao mudar o foco de «o que me devem?» para «do que me encarreguei?», recupera-se o poder pessoal e estabelece-se as bases para uma dinâmica relacional adulta, generosa e construtiva.
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