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Máscaras e ocultação

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Transcrição Máscaras e ocultação


A fachada social e o medo da rejeição

Desde tenra idade, e muitas vezes influenciados por ambientes onde a aceitação era condicional, aprendemos a construir uma «máscara» ou fachada social.

Essa máscara é uma versão editada e polida de nós mesmos que apresentamos ao mundo (e aos nossos parceiros) na esperança de sermos amados e aceitos.

Ocultamos as nossas inseguranças, medos e defeitos percebidos por trás de uma armadura de competência, frieza ou complacência.

O problema fundamental de agir a partir dessa máscara é que, mesmo que consigamos enganar os outros e receber a sua aprovação, essa conexão nunca nos satisfaz plenamente, porque sabemos que eles estão a amar o personagem, não a pessoa real. Esse ocultamento gera uma profunda solidão, mesmo estando em um relacionamento.

Podemos dormir ao lado de alguém durante anos e sentir-nos completos estranhos porque nunca permitimos que nos vissem realmente.

Vivemos com o medo constante de que, se a máscara cair, o amor desapareça. Essa dinâmica impede a verdadeira intimidade, pois a intimidade requer vulnerabilidade.

Ao nos esforçarmos para ser quem achamos que o outro quer que sejamos, sacrificamos a nossa autenticidade e privamos o relacionamento da matéria-prima necessária para uma conexão genuína e profunda.

A Teoria do Iceberg e a revelação do que está submerso

Podemos visualizar a personalidade humana usando a metáfora do iceberg proposta por Sigmund Freud.

Em um relacionamento, o que mostramos inicialmente é apenas a ponta visível acima da água: nossos comportamentos, palavras e aparência física consciente.

No entanto, a imensa maioria de quem somos — os nossos traumas, motivações inconscientes, necessidades profundas, medos e sonhos — permanece submersa abaixo da linha de flutuação, invisível para o outro e, às vezes, até mesmo para nós mesmos.

O trabalho de construir uma relação sólida consiste em baixar o nível da água ou mergulhar juntos para explorar essa massa submersa.

Conquistar o coração de alguém implica criar um ambiente de segurança tal (aceitação incondicional) que a outra pessoa se sinta capaz de revelar essas partes ocultas do iceberg sem medo de colidir ou ser destruída, como aconteceu com o Titanic.

Se quisermos passar de simples conhecidos ou colegas de quarto a íntimos, devemos estar dispostos a mostrar e ver o que está por baixo da superfície.

Somente ao integrar essas partes ocultas na dinâmica diária é que se alcança o conhecimento real e o amor completo.

RESUMO

O uso de máscaras sociais para obter aprovação cria uma barreira intransponível para a intimidade, pois o amor recebido é sentido como dirigido a um personagem falso e não ao ser real.

A metáfora do iceberg ilustra que a maior parte da nossa identidade (medos, necessidades, história) permanece oculta, e o verdadeiro relacionamento começa quando nos atrevemos a revelar essa profundidade submersa.

Para alcançar uma conexão autêntica, é necessário abandonar a fachada de perfeição e criar um espaço de segurança onde ambos possam mostrar sua vulnerabilidade e complexidade sem medo de julgamento ou rejeição.


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