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Independência e União (O «Eu» e o «Nós»)

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Transcrição Independência e União (O «Eu» e o «Nós»)


O perigo da fusão e da perda de identidade

Na cultura romântica, muitas vezes se idealiza a noção de que duas pessoas se tornam «uma», fazendo tudo juntas e partilhando cada pensamento.

No entanto, essa fusão total é, na prática, a aniquilação da individualidade.

É comum ouvir pessoas em relacionamentos longos confessarem que já não sabem quem são, do que gostam ou o que pensam, porque foram absorvidas pela entidade do casal ou da família.

Tornam-se satélites que orbitam em torno dos desejos e necessidades do outro, perdendo a sua própria gravidade e essência.

Essa perda do "eu" enfraquece inevitavelmente o "nós", pois um relacionamento saudável requer a interação de duas entidades distintas, não a existência de uma única amalgama indiferenciada.

A expectativa de que o parceiro deve acompanhar-nos em todas as atividades e partilhar todos os nossos passatempos é uma receita para o esgotamento e o ressentimento. Não é realista nem justo exigir que o outro preencha todos os nossos espaços e papéis.

Quando forçamos uma "união" constante, sacrificamos a diversidade e a frescura que cada um pode trazer.

Se um dos membros deixa de cultivar os seus próprios interesses para se mimetizar com o outro, a relação perde dinamismo e torna-se claustrofóbica.

A verdadeira conexão é alimentada pela distância saudável que permite que cada um sinta saudades do outro e tenha novas experiências para compartilhar quando se reencontram.

Cultivar o seu próprio jardim como um presente para o vínculo

Para manter a vitalidade no casal, é imperativo lembrar que «tu eras tu antes de sermos nós».

Manter e nutrir essa identidade individual não é um ato de egoísmo, mas de preservação relacional.

Dedicar tempo para estar sozinho, cultivar as próprias amizades, perseguir passatempos individuais e reconectar-se com a própria bússola interna é fundamental.

Isso permite que cada membro do casal retorne ao relacionamento renovado, mais feliz e com mais a oferecer.

Uma pessoa que se honra a si mesma e cuida do seu bem-estar é um melhor companheiro, pai e amigo do que alguém que se diluiu no sacrifício constante.

Além disso, diversificar as fontes de apoio e conexão é uma estratégia de saúde mental.

Criar uma rede de pessoas de confiança ou grupos de apoio (um conceito semelhante a ter um «conselho consultivo» pessoal ou uma tribo) garante que o casal não tenha de carregar todo o peso das nossas necessidades emocionais e sociais.

Ao distribuir a carga e permitir que diferentes pessoas satisfaçam diferentes aspetos da nossa vida (companheiros de desporto, amigos de infância, mentores), libertamos a relação romântica de uma pressão excessiva, permitindo que ela respire e floresça num espaço de liberdade e interdependência saudável.

RESUMO

A fusão total no casal, onde se perde a identidade individual e se faz tudo em conjunto, é destrutiva, pois anula o «eu» necessário para que exista um «nós» saudável.

É essencial manter espaços de autonomia, passatempos e momentos a sós para nutrir a própria identidade, o que, paradoxalmente, fortalece a relação ao trazer frescura e bem-estar ao vínculo comum.

Diversificar as conexões sociais e não depender exclusivamente do casal para satisfazer todas as necessidades liberta o vínculo de pressões excessivas, criando uma dinâmica de interdependência sustentável e enriquecedora.


independencia e uniao o eu e o nos

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