Transcrição Diferenças de processamento
A divergência na orientação vital e comunicativa
Embora homens e mulheres partilhem a mesma humanidade, existem tendências gerais na forma como processamos a experiência vital que, se ignoradas, geram atrito constante.
Uma diferença fundamental costuma ser a orientação para o «relacionamento» versus a orientação para a «solução».
Geralmente (embora nem sempre), o cérebro feminino tende a priorizar a conexão, a empatia e o processo de partilha de sentimentos como um fim em si mesmo.
Quando uma mulher partilha um problema, muitas vezes procura validação e sentir-se ouvida.
Por outro lado, o cérebro masculino tende a ser mais instrumental e orientado para a tarefa, focando-se na competência e na resolução eficiente de problemas.
Este choque de estilos manifesta-se quando ela fala de um conflito no trabalho procurando desabafar e ele interrompe oferecendo três soluções práticas para resolvê-lo.
Ela sente-se não ouvida («só quero que me compreendas») e ele sente-se frustrado («dou-te a solução e tu ficas zangada»).
Ele percebe a conversa emocional como uma ineficiência; ela percebe a solução rápida como uma invalidação.
Compreender que estas não são falhas de caráter, mas diferenças de processamento, permite ao casal traduzir as intenções um do outro.
Ele pode aprender a ouvir sem resolver, e ela pode aprender a pedir diretamente o que precisa (atenção ou conselho).
Ciclos de intimidade: Ondas e Elásticos
Outra metáfora útil para compreender as dinâmicas de género é a da «onda» e do «elástico».
A autoestima e o estado emocional feminino tendem a se mover como uma onda: sobem e descem.
Quando a onda quebra e ela atinge o fundo, ela precisa de segurança e contenção emocional, não de lógica.
Se, nesse momento, ele tentar «tirá-la» desse estado em vez de acompanhá-la, ela se sentirá incompreendida.
Por outro lado, a intimidade masculina funciona como um elástico: ele precisa se afastar (autonomia) para depois voltar com força (intimidade).
Este ciclo de aproximação-afastamento é natural e necessário para que ele recupere o seu sentido de independência. O conflito surge quando esses ciclos são mal interpretados.
Quando ele se retira para a sua «caverna» para processar o stress ou recuperar a autonomia, ela pode interpretar isso como desamor ou abandono e persegui-lo, o que faz com que ele se afaste ainda mais (a banda estica-se).
Se ela entender que o afastamento é temporário e necessário para que ele volte revigorado, poderá dar-lhe espaço sem ansiedade.
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