Transcrição Técnica assertiva VI: O «Banco de Nevoeiro» para desativar conflitos
O cenário do conflito: críticas inesperadas e situações desconfortáveis
Todos nós, em algum momento, enfrentamos situações comunicativas embaraçosas: uma crítica inesperada em uma reunião familiar, uma repreensão de um amigo ou um comentário irónico de um colega.
Perante estes «ataques», a nossa reação instintiva tende a cair num dos dois extremos: ou nos defendemos agressivamente, o que agrava o conflito, ou encolhemo-nos e adotamos uma postura passiva, o que gera frustração interna.
A técnica do «banco de neblina», também conhecida como técnica desarmante, é uma ferramenta assertiva concebida para gerir esses momentos, permitindo-nos travar um ataque e desviar o conflito sem ceder a nossa posição nem entrar numa discussão destrutiva.
A metáfora da névoa: travar o impulso e ganhar tempo
O nome desta técnica é inspirado na ação de um motorista que, ao se deparar com um denso banco de neblina, reduz a velocidade para poder ver a estrada com mais clareza.
Da mesma forma, diante de um comentário doloroso ou uma crítica hostil, em vez de acelerar para uma resposta impulsiva, aplicamos um «freio» à situação.
Isso implica em tirar alguns segundos para respirar, processar o comentário e oferecer uma resposta breve e calma que não alimente a confrontação.
O objetivo não é resolver o problema naquele momento de máxima tensão, mas adiar a discussão até encontrar um momento mais adequado, quando ambas as partes estiverem mais calmas e receptivas para dialogar de forma construtiva.
O princípio fundamental: concordar sem ceder terreno
A essência do "banco de neblina" consiste em responder à crítica de uma forma inesperada: concordando com a outra pessoa no que pode haver de verdadeiro no seu argumento, ou simplesmente reconhecendo a sua percepção da realidade.
Não se trata de concordar com toda a acusação, mas de validar uma parte dela para desarmar o interlocutor.
Por exemplo, se um amigo lhe recrimina que nunca está disponível, em vez de se justificar, você poderia dizer: "Entendo que esteja zangado se acha que nunca estou disponível para si".
Com esta frase, não admite que a acusação seja verdadeira, mas valida o sentimento dele com base na sua crença.
Perante uma crítica mais direta como «Chegaste atrasado outra vez!», uma resposta evasiva seria: «Sim, é verdade, cheguei atrasado».
Os benefícios: desativar a hostilidade e redirecionar a conversa
Esta resposta, calma e parcialmente conciliadora, é algo que o interlocutor não espera e, por isso, reduz a tensão quase imediatamente.
Ao sentir que a sua crítica foi ouvida e não rejeitada de imediato, a pessoa tende a relaxar e a sua agressividade diminui.
Desta forma, evitamos o impulso de entrar numa discussão, de nos justificarmos ou de contra-atacarmos.
Uma vez desativada a hostilidade inicial, temos o controlo para redirecionar a conversa para uma análise mais calma do problema ou, simplesmente, para mudar de assunto e abordar a questão mais tarde, num contexto mais apropriado.
É uma forma elegante e assertiva de encerrar uma comunicação potencialmente conflituosa sem perder a compostura.
Resumo
A técnica do «banco de neblina» é uma ferramenta assertiva concebida para gerir críticas inesperadas ou situações desconfortáveis. Permite-nos travar um ataque e desviar o conflito sem ceder a nossa posição nem entrar numa discussão.
A essência desta técnica consiste em responder à crítica concordando com a outra pessoa naquilo que pode ser verdade. Não se trata de concordar com toda a acusação, mas de validar uma parte.
Esta resposta calma e parcialmente conciliadora é algo que o interlocutor não espera, pelo que reduz a tensão quase imediatamente. Ao sentir que a sua crítica foi ouvida, a pessoa tende a relaxar.
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