Teorias Fundamentais da Motivação
O ciclo de necessidades, tensão e satisfação
A arquitetura da motivação humana baseia-se num ciclo contínuo originado pela carência.
Quando um indivíduo percebe uma necessidade insatisfeita, o seu sistema psicológico experimenta um estado de elevada tensão interna.
Este mal-estar atua como o principal motor que desencadeia comportamentos específicos orientados para restaurar o equilíbrio perdido.
Assim que o objetivo é alcançado e a necessidade satisfeita, a tensão dissipa-se temporariamente, gerando uma profunda sensação de satisfação, até que surja uma nova necessidade.
Para ilustrar esta dinâmica, imaginemos um analista contabilístico júnior que anseia desesperadamente por obter reconhecimento profissional, uma necessidade de estima não satisfeita.
Esta carência gera um atrito mental que o leva a fazer horas extraordinárias, a otimizar os relatórios financeiros e a liderar projetos complexos sem que ninguém lho peça.
Se a gerência recompensar esse sacrifício com uma promoção formal e elogios públicos, a necessidade é satisfeita e a tensão desaparece.
Compreender este mecanismo é indispensável para os gestores corporativos; se não conseguirem identificar quais são as verdadeiras carências que atormentam o seu quadro de pessoal, qualquer estratégia de incentivos que conceberem será completamente estéril e ineficaz para elevar o rendimento produtivo.
Fatores de sobrevivência versus fatores de crescimento
A análise aprofundada da satisfação no trabalho revela que os elementos que previnem a desmotivação não são os mesmos que impulsionam o entusiasmo excepcional.
Existe uma dualidade clara: por um lado, encontram-se os fatores de sobrevivência ou manutenção, intimamente ligados ao ambiente físico e às condições contratuais.
Estes abrangem o salário base, a iluminação do escritório, a estabilidade laboral e as políticas da empresa.
Se um operador de call center dispõe de uma cadeira ergonómica e de um salário competitivo, simplesmente não ficará insatisfeito, mas isso não o motivará a superar as suas metas.
Por outro lado, surgem os fatores de crescimento, intrinsecamente ligados à própria natureza das tarefas atribuídas.
Estes incluem o nível de autonomia, o reconhecimento por realizações excecionais, a responsabilidade direta sobre projetos críticos e as possibilidades de crescimento intelectual. São estes últimos os verdadeiros catalisadores de um compromisso inabalável.
Voltando ao consultor telefónico, se lhe for confiada a liderança da formação dos novos colaboradores, este desafio intelectual despertará
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