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Corresponsabilidade radical: o modelo 100/100

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Transcrição Corresponsabilidade radical: o modelo 100/100


Desconstruindo o mito da "alma gémea" educacional

No imaginário coletivo e no discurso habitual das reuniões escolares, preva lece uma crença aritmética que sugere que a educação de uma criança se divide em percentagens equitativas: 50% correspondem à família e os outros 50% à escola.

Esta abordagem, embora aparentemente equilibrada, esconde uma armadilha operacional: incentiva a desculpa e a dependência.

Se uma das partes falha, a educação fica "incompleta" e é fácil culpar o outro lado pelo défice.

O modelo de corresponsabilidade radical desafia essa matemática tradicional, propondo um novo paradigma: a responsabilidade não é dividida, é assumida na sua totalidade.

Não se trata de metades que somam um todo, mas de cada agente educativo assumir que o sucesso do aluno depende 100% da sua própria intervenção, independentemente do que a outra parte faça.

A autonomia do impacto familiar

Sob esta nova perspetiva, analisa-se primeiro o poder da família como um sistema autossuficiente de influência.

Quando os pais ou tutores decidem exercer o seu papel com um vínculo profundo, conectando-se genuinamente com as necessidades emocionais e formativas do seu filho, o seu impacto torna-se absoluto.

Uma família 100% comprometida tem a capacidade de proteger e potenciar o desenvolvimento do aluno, mesmo que o ambiente escolar seja deficiente ou que o professor de plantão não atenda às expectativas ideais.

A premissa é que um lar sólido e atencioso atua como um fator de proteção tão poderoso que pode compensar as carências externas, gerando resultados extraordinários por si só, sem a necessidade de esperar que a escola «faça a sua parte» para que o processo funcione.

O professor como agente de transformação total

A contrapartida desta teoria coloca o educador numa posição de máximo empoderamento.

Muitas vezes, os professores sentem-se limitados por contextos familiares disfuncionais, ausentes ou tóxicos, assumindo que a sua influência tem um limite nessas circunstâncias.

No entanto, o modelo 100/100 sustenta que um professor que decide conectar-se plenamente com os seus alunos, criando um clima de segurança e validação na sala de aula, pode gerar "milagres" educacionais por conta própria.

Mesmo que o apoio familiar seja nulo, a intervenção pedagógica e emocional de um professor que opera a 100% da sua capacidade pode ser o fator resiliente que muda a trajetória de vida de um aluno.

A escola deixa de ser um complemento do lar para se tornar um espaço de salvação e desenvolvimento autónomo quando o profissional assume toda a sua responsabilidade.

A sinergia da dupla totalidade

Por fim, a aplicação deste modelo não visa que as partes trabalhem isoladamente, mas que mudem a sua mentalidade de «colaboração condicional» para «dedicação incondicional».

Quando ambas as esferas, família e escola, abandonam a expectativa de que a outra cubra as suas lacunas e decidem dar o seu próprio 100%, o resultado não é uma soma aritmética, mas uma multiplicação exponencial do bem-estar do aluno.

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corresponsabilidade radical o modelo 100 100

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