Reconceitualização do consumidor
Desvinculação da transação económica estrita
Tradicionalmente, o ambiente corporativo incutiu-nos uma definição extremamente restritiva e pouco empática sobre quem merece a nossa atenção profissional imediata.
Fomos condicionados a acreditar que apenas aquela pessoa que entrega uma compensação financeira em troca de um bem é digna de ser considerada sob a nossa esfera de cuidado.
No entanto, esta visão puramente mercantilista acaba por ser um enorme obstáculo ao crescimento institucional.
Limitar o nosso esforço e gentileza apenas àqueles que já formalizaram um pagamento implica desperdiçar um universo de possibilidades e interações humanas inestimáveis.
Se mantivermos a firme convicção de que o resto do mundo são meros potenciais clientes invisíveis até abrirem as suas carteiras, a nossa cultura organizacional tornar-se-á fria, calculista e distante.
É imperativo livrarmo-nos desta abordagem transacional e começarmos a valorizar a aproximação humana acima de qualquer troca monetária imediata.
A abordagem na resolução de necessidades integrais
A redefinição conceptual convida-nos a observar o nosso interlocutor de uma perspetiva muito mais compassiva e ampla: reconhecê-lo simplesmente como um ser humano que nos procura com uma carência ou inquietação específica que requer resolução.
Imaginemos por um momento que alguém entra numa loja de ferragens à procura de orientação urgente para estancar uma fuga de água na sua casa, mesmo que não tenha intenção de comprar a ferramenta ali mesmo.
Se o funcionário possuir a informação exata para orientar essa pessoa, nesse preciso instante assume o papel de prestador de assistência e o visitante torna-se seu protegido.
O facto de não existir um contrato nem uma remuneração monetária envolvida para lhe indicar o procedimento correto não invalida de forma alguma a natureza real da interação.
Continuamos a ser facilitadores de soluções face a uma necessidade latente num ambiente complexo.
Resumo
É urgente abandonar a ideia de que um consumidor é apenas quem efetua um pagamento. Esta visão limitadora obstrui o verdadeiro potencial da nossa organização.
A nova perspetiva define o utilizador como qualquer indivíduo que manifesta uma necessidade latente. Abordar estas carências promove uma ligação humana muito mais valiosa.
Mesmo sem trocas financeiras diretas, ajudar alguém de forma desinteressada consolida uma imagem institucional extremamente positiva. A empatia pura transforma interações quotidianas em laços altamente duradouros.
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