PorCursosOnline55
As sequelas do assédio escolar: impacto na saúde mental adulta - assedio escolar
"São coisas de crianças, passará, isso vai torná-lo mais forte". Estas frases, repetidas durante décadas, são falsas e perigosas. O bullying escolar não fortalece o caráter; destrói-o. As evidências científicas demonstram que sofrer bullying na infância deixa cicatrizes neurológicas e psicológicas que persistem décadas depois, afetando a saúde mental, as relações e a vida profissional do adulto. Neste artigo final, analisamos o impacto a longo prazo para entender a urgência da prevenção.
As vítimas de bullying escolar têm um risco significativamente maior de desenvolver patologias mentais graves na vida adulta.
O assédio prejudica a capacidade de confiar nos outros. Se seus colegas o traíram e atacaram na sua fase formativa, o cérebro aprende que "o mundo é um lugar hostil".
Dificuldades de Socialização: As vítimas adultas frequentemente têm dificuldades para fazer amigos, manter relações de casal saudáveis ou trabalhar em equipa. Podem desenvolver fobia social ou isolar-se preventivamente para não voltar a ser feridas.
Revitimização: Tristemente, quem foi vítima na escola tem mais probabilidade de sofrer assédio laboral (Mobbing) ou relações de casal abusivas, já que interiorizou o papel de submissão e a desamparo aprendido.
O assédio também destrói o futuro do agressor. Não há vencedores nesta história.
Trajetória Delituosa: Estudos longitudinais mostram que as crianças que foram agressores têm uma probabilidade muito maior de ter antecedentes criminais antes dos 24 anos. Aprenderam que a violência compensa.
Violência Doméstica: Existe uma correlação preocupante entre ter sido agressor escolar e exercer violência de género ou mau-trato familiar na idade adulta. O padrão de domínio e falta de empatia transfere-se do recreio escolar para o lar.
O corpo contabiliza. O stress tóxico prolongado durante o desenvolvimento infantil afeta o sistema imunitário e cardiovascular.
As vítimas adultas apresentam taxas maiores de doenças inflamatórias, dor crónica, problemas digestivos e cefaleias. O sofrimento emocional transformou-se em doença física.
Embora o dano seja real, não é uma sentença para toda a vida. Com o apoio adequado, as sequelas podem ser curadas.
A importância da intervenção precoce: Quanto antes o assédio for interrompido, menor será a marca traumática. Por isso a formação de docentes e famílias é vital. Cada vez que um professor detecta um caso e age, está a salvar a saúde mental de um futuro adulto.
Terapia e Reparação: A terapia psicológica cognitivo-comportamental e o EMDR são muito eficazes para processar o trauma do bullying. Validar a dor da vítima ("acreditamos em você, não foi culpa sua") é o primeiro passo para a cura.
O bullying escolar é uma emergência social. Não podemos virar o rosto. Formar-nos para detectá-lo e erradicá-lo é o melhor investimento que podemos fazer pelo futuro da nossa sociedade.