Transcrição Hierarquia de objetivos terapêuticos
A prioridade absoluta: segurança vital
A TDC opera sob uma hierarquia rígida de objetivos que orienta cada sessão, impedindo que a terapia se desvie para temas triviais quando há urgências. No topo dessa hierarquia estão os comportamentos que ameaçam a vida.
Isso inclui qualquer tentativa de suicídio, ideação suicida ativa, planejamento ou comportamentos de automutilação não suicida (como cortes ou queimaduras). Também estão incluídas agressões físicas graves a outras pessoas.
A lógica é irrefutável: não se pode fornecer terapia a um indivíduo falecido.
Portanto, se um consultante chega à sessão relatando um conflito com um colega de quarto, mas também admite ter acumulado medicamentos com intenções letais, todo o foco da sessão é imediatamente redirecionado para a segurança e a gestão da crise suicida, ignorando temporariamente o conflito doméstico.
Proteção do processo clínico
O segundo nível de prioridade é constituído por comportamentos que interferem com a terapia (TIB, na sigla em inglês).
Estas são ações que impedem o consultante de receber ajuda eficaz ou que ameaçam esgotar o terapeuta.
Exemplos incluem faltar às sessões, chegar sistematicamente atrasado, permanecer em silêncio hostil durante a hora clínica ou ligar para o terapeuta em horários inadequados de forma abusiva. Se esses comportamentos não forem abordados, a terapia está condenada ao fracasso.
Por exemplo, se um indivíduo comparece fisicamente, mas se recusa a falar ou a trabalhar nas competências, a análise desse comportamento de bloqueio é priorizada em relação a qualquer outro problema de qualidade de vida, uma vez que «estar em terapia» é um pré-requisito para melhorar.
Qualidade de vida e aquisição de competências
Uma vez assegurada a vida e a integridade da terapia, o terceiro nível concentra-se nos comportamentos que interferem com a qualidade de vida.
Aqui são tratados distúrbios graves, como depressão grave, distúrbios de ansiedade, problemas financeiros graves ou comportamentos criminosos que, embora não matem o indivíduo imediatamente, tornam a vida miserável. Finalmente, o quarto componente é o aumento das habilidades comportamentais.
Isso implica substituir os comportamentos desadaptativos eliminados nos níveis anteriores por novas respostas funcionais aprendidas no grupo de habilidades.
O objetivo é que o indivíduo não apenas pare de agir de forma destrutiva, mas aprenda ativamente como regular as suas emoções e se relacionar de forma eficaz para construir a vida que deseja.
Resumo
A hierarquia rígida coloca a segurança vital do paciente no topo. Qualquer comportamento suicida ou de automutilação é atendido imediatamente, pois é impossível fornecer terapia eficaz a um indivíduo falecido.
O segundo nível aborda os comportamentos que interferem na terapia, como faltas ou hostilidade. Se o paciente não colabora ou bloqueia o processo clínico, a terapia está condenada ao fracasso.
Por fim, são tratados os comportamentos que destroem a qualidade de vida, como distúrbios graves. O objetivo é substituir padrões desadaptativos pela aquisição ativa de novas habilidades comportamentais funcionais e saudáveis.
hierarquia de objetivos terapeuticos