Transcrição A dialética: filosofia central
A visão do mundo como uma rede interligada e dinâmica
O fundamento filosófico que distingue esta terapia é a dialética, um conceito que vai muito além de uma simples técnica de conversação.
A partir dessa perspectiva, a realidade é entendida não como um conjunto de elementos estáticos e isolados, mas como um todo interligado e em constante mudança.
Tal como na física quântica ou nos sistemas ecológicos, a filosofia dialética assume que nada existe em isolamento; cada pensamento, emoção ou comportamento de um indivíduo está intrinsecamente ligado ao seu ambiente, à sua biologia e à sua história. Além disso, postula-se que a realidade é um processo, não um estado fixo.
O que é verdadeiro num determinado momento está destinado a transformar-se, impulsionado pelas tensões internas que existem em todos os sistemas.
Para o terapeuta e o cliente, isso significa abandonar a busca por uma "verdade absoluta" imutável e, em vez disso, aprender a navegar pela fluidez da experiência humana, aceitando que a mudança é a única constante inevitável.
A síntese dos opostos e o poder do «E»
A aplicação clínica mais poderosa da dialética reside na capacidade de reconciliar opostos aparentes, passando de uma mentalidade de "ou isto ou aquilo" para uma mentalidade de "ambos".
Na lógica tradicional, duas ideias contraditórias (tese e antítese) são frequentemente vistas como mutuamente exclusivas: se uma é verdadeira, a outra deve ser falsa. A dialética busca uma síntese superior.
Por exemplo, um paciente pode estar preso no dilema "Sou um desastre" versus "Sou perfeito e ninguém me entende".
A intervenção dialética introduz o "E" para validar múltiplas facetas da realidade simultaneamente: "Você está fazendo o melhor que pode E precisa fazer melhor, se esforçar mais e estar mais motivado para mudar".
Esta formulação permite que o paciente se sinta aceite na sua dificuldade atual, sem que isso implique renunciar à necessidade de crescimento.
Eliminar o "mas" e substituí-lo pelo "e" reduz a defensividade e abre a porta para a flexibilidade cognitiva, permitindo sustentar verdades dolorosas (como um trauma passado) juntamente com verdades esperançosas (a capacidade de construir uma vida valiosa no presente) sem que entrem em conflito destrutivo.
Resumo
A realidade é entendida como uma rede dinâmica e interligada onde nada existe isoladamente. Cada pensamento e comportamento está intrinsecamente ligado ao ambiente, à biologia e à história.
Esta filosofia assume que a realidade é um processo em constante mudança e fluido. O terapeuta deve abandonar verdades absolutas e aprender a navegar pela transformação constante.
O potencial clínico reside em sintetizar opostos por meio do "e", reconciliando contradições aparentes. Isso permite validar a dificuldade atual do paciente sem renunciar à necessidade de mudança.
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