Transcrição O narcisismo: grandiosidade e fragilidade
Características do narcisista: direito, superioridade e falta de empatia
O narcisismo é uma das características sombrias mais prevalentes na sociedade atual.
As pessoas que encarnam este perfil caracterizam-se por exibir níveis elevados de grandiosidade, uma necessidade imperiosa de domínio e um sentido exagerado de superioridade sobre os outros.
Muitas vezes, apresentam-se como indivíduos encantadores e carismáticos, projetando uma imagem positiva que facilita o engano inicial.
No entanto, por baixo desta fachada, operam com uma significativa falta de empatia real pelos sentimentos alheios.
No contexto da psicologia sombria, o narcisista vê as outras pessoas não como iguais, mas como fontes de «abastecimento» para alimentar o seu próprio ego.
São hábeis construtores de relações, mas estas conexões são instrumentais; cultivam laços apenas para servir os seus interesses pessoais, ocultando essa intenção até que a vítima já esteja envolvida.
Possuem um sentido exagerado de direito (entitlement), acreditando genuinamente que merecem um tratamento preferencial e que as suas necessidades devem ter prioridade absoluta sobre as de qualquer outra pessoa, seja no ambiente familiar ou profissional.
O mito do amor-próprio e a necessidade de suprimento externo
Existe uma concepção errada de que o narcisista possui uma autoestima inabalável ou que está «apaixonado por si mesmo». A realidade psicológica é mais complexa.
Tal como no mito clássico em que o protagonista se apaixona pelo seu reflexo na água, o narcisista moderno não ama o seu ser real, mas sim uma versão idealizada e perfeita de si mesmo que só existe na sua fantasia.
Essa autoimagem grandiosa é frágil porque não se baseia na aceitação da realidade, mas numa ilusão.
Devido a essa desconexão, o narcisista precisa de validação externa constante para sustentar seu delírio de grandeza.
Quando agem em detrimento dos outros, racionalizam as suas ações egoístas convencendo-se de que estão a fazer um favor à vítima ou a servir um bem maior, quando na verdade apenas procuram manter a sua fantasia de superioridade.
Embora essa confiança delirante possa levá-los ao sucesso profissional ao se tornar uma "profecia auto-realizável" (convencendo os outros do seu talento), sua falta de ética e sua necessidade de colocar seus interesses em primeiro lugar geralmente resultam em traições e comportamentos arrogantes a longo prazo.
Dinâmicas de controlo e o ciclo de abuso
Para proteger o seu ego frágil, os narcisistas cercam-se de pessoas complacentes que reafirmam o seu estatuto especial.
No entanto, como é impossível manter uma fachada de perfeição indefinidamente, eventualmente as pessoas próximas começam a notar as falhas.
Para evitar essa dissonância, o narcisista tenta controlar os pensamentos e ações das pessoas ao seu redor.
Esse controlo pode manifestar-se através de técnicas de abuso sutil ou manifesto, procurando punir qualquer pessoa que desafie o seu domínio ou deixe de lhe proporcionar a admiração necessária.
Nas relações, isso traduz-se em ciclos de idealização e desvalorização (bombardeamento de amor seguido de rejeição) para manter a vítima instável e dependente.
Resumo
O narcisista exibe grandiosidade e necessidade de domínio, ocultando uma significativa falta de empatia real para com os outros. Ele vê as pessoas como fontes de abastecimento para alimentar o seu próprio ego e fantasias.
A sua autoestima é um mito; na realidade, eles amam uma versão idealizada de si mesmos que requer validação externa constante. Eles racionalizam as suas ações egoístas para manter intacta a sua fantasia delirante de superioridade.
Para proteger o seu frágil ego, controlam o seu ambiente através de ciclos de idealização e desvalorização que geram dependência. Procuram punir qualquer pessoa que desafie o seu domínio ou deixe de lhes proporcionar admiração.
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