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O perfeccionista: a armadilha da impecabilidade

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Transcrição O perfeccionista: a armadilha da impecabilidade


Padrões inatingíveis e insatisfação crónica

Este arquétipo é definido pela convicção interna de que o único resultado aceitável é a ausência total de erros.

Para o perfeccionista, o trabalho não é uma escala de cinza onde existe o «bom» ou o «excelente», mas um sistema binário onde qualquer coisa que não seja perfeita é considerada um fracasso retumbante.

Essa mentalidade leva a comportamentos obsessivos, como revisar e-mails ou relatórios repetidamente, procurando falhas minúsculas que ninguém mais notaria.

O problema fundamental não é a qualidade do trabalho, que geralmente é alta, mas a incapacidade do indivíduo de apreciá-la; mesmo quando entrega um projeto bem-sucedido, a pessoa fica remoendo o que "poderia ter feito melhor" em vez de comemorar a conquista.

Essa busca pela perfeição se transforma em um vício pelo trabalho, impulsionado pelo medo de que, se baixar a guarda, revelará uma suposta incompetência.

A satisfação pessoal é adiada indefinidamente porque a meta da perfeição é, por definição, um horizonte que se afasta cada vez mais.

Intolerância à crítica e fragilidade do ego

Como o perfeccionista vincula seu valor pessoal diretamente à qualidade de sua produção, qualquer comentário que não seja um elogio absoluto é percebido como uma ferida profunda.

Não existe «crítica construtiva» no seu dicionário emocional; o feedback corretivo é interpretado como uma confirmação de que não são suficientemente bons.

Essa hipersensibilidade faz com que se tornem defensivos ou trabalhem ainda mais para se protegerem contra futuras observações, criando um ciclo de esgotamento.

Vivem com uma ansiedade constante, antecipando o julgamento dos outros, convencidos de que os outros estão a examinar o seu trabalho com a mesma lente implacável que eles usam consigo mesmos.

Ao evitar o feedback para proteger a sua autoestima, ironicamente negam a si próprios a oportunidade de aprender e melhorar, ficando estagnados nos seus próprios métodos por medo de se exporem.

Pensamento binário e dificuldade em delegar

O perfeccionismo opera sob uma lógica de "tudo ou nada": ou você é o melhor, ou é uma fraude; ou o projeto é perfeito, ou é um desastre.

Este pensamento polarizado elimina as nuances e a compaixão por si mesmo. Além disso, esta mentalidade afeta severamente a capacidade de trabalhar em equipa.

O perfeccionista muitas vezes acredita que "ninguém fará tão bem quanto eu", o que o impede de delegar tarefas.

Se delegam, muitas vezes acabam refazendo o trabalho dos outros ou microgerenciando, o que não só sobrecarrega a sua própria agenda, mas também desmotiva os seus colaboradores.

Ao não confiar que um resultado "suficientemente bom" é aceitável, condenam-se a ser gargalos nos seus próprios projetos, perpetuando a narrativa de que só eles podem manter o padrão, o que reforça o seu isolamento e stress.

Resumo

Este perfil é definido pela convicção de que o único resultado aceitável é a ausência total de erros, percebendo o trabalho como um sistema binário de sucesso ou fracasso retumbante.

A sua autoestima depende diretamente da qualidade da sua produção, pelo que qualquer crítica é sentida como uma ferida profunda, levando-os a trabalhar defensivamente para evitar julgamentos alheios.

Essa mentalidade dificulta o trabalho em equipa, pois evitam delegar, acreditando que ninguém mais cumprirá os seus padrões, tornando-se gargalos isolados e estressados nos seus próprios projetos.


o perfeccionista a armadilha da impecabilidade

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