O modelo moral e doutrinário

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  O modelo moral e doutrinário


Fundamentos teóricos ligados ao núcleo tradicional

A abordagem doutrinária surge como uma resposta conservadora face a outros paradigmas formativos, baseando os seus postulados em dogmas estritamente religiosos e em visões muito tradicionais do núcleo familiar.

Nesta perspetiva ideológica, as interações físicas são consideradas legítimas única e exclusivamente quando ocorrem dentro dos limites rígidos do casamento formalizado.

Além disso, o objetivo fundamental de qualquer aproximação íntima deve estar inevitavelmente orientado para a procriação biológica, relegando a busca do prazer para um plano secundário ou mesmo censurável.

As manifestações de afeto entre os cônjuges são toleradas de forma mínima, mas sempre subordinadas ao objetivo reprodutivo ditado pelas normas eclesiásticas.

Para os indivíduos que não se enquadram neste modelo normativo, como as pessoas solteiras, aquelas com orientação homossexual ou os cidadãos com perturbações no seu desenvolvimento, a orientação é categórica: devem erradicar absolutamente qualquer desejo carnal.

Este esquema teórico nega categoricamente a diversidade humana, impondo um padrão inatingível que gera profundos sentimentos de culpa, forçando os indivíduos mais vulneráveis a viver a sua identidade num doloroso e perpétuo ocultamento emocional.

Promoção da abstinência e papéis formativos

Ao abrigo desta doutrina conservadora, o programa educativo persegue um objetivo claro: promover a castidade absoluta antes e fora do casamento.

Os escassos conteúdos pedagógicos centram-se principalmente na educação infantil, exaltando os valores da vida familiar tradicional e exigindo um autocontrolo férreo face a qualquer fantasia erótica.

No caso específico das pessoas com necessidades especiais, a instrução sublinha a renúncia obrigatória à sua sexualidade, exortando-as a reprimir constantemente os seus instintos biológicos.

Para garantir o cumprimento destas normas rigorosas, o modelo atribui aos pais o papel de máximos e únicos responsáveis pela educação.

Se a instituição escolar intervir nestas questões, deve fazê-lo sob a supervisão direta e a aprovação prévia das famílias, assegurando que os professores ministrem aulas que coincidam milimétricamente com a moral defendida no lar.

Na ausência de cumprimento por parte da família, as organizações religiosas assumem essa vigilância, consolidando um sistema educativo que privilegia a obediência cega e dogmática em detrimento do desenvolvimento pessoal autónomo e saudável.

Resumo

A metodologia moral baseava todas as suas intervenções educativas em crenças estritamente e puramente religiosas. O seu firme propósito, inegociável, era manter as interações físicas exclusivamente no âmbito do casamento, privilegiando sempre a reprodução biológica em detrimento do prazer.

Esta abordagem tradicional exigia uma repressão total dos impulsos por parte dos indivíduos com deficiências. Os tutores principais assumiam o controlo absoluto de qualquer educação ministrada, censurando rigorosamente conteúdos contrários aos seus ideais.

A aplicação de diretrizes tão opressivas anulava severamente a autonomia psicológica e gerava frustração emocional constante. Felizmente, a pedagogia contemporânea rejeita estas práticas doutrinárias, optando atualmente por modelos muito mais compreensivos, verdadeiramente científicos e inclusivos.


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