O modelo baseado nos riscos

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  O modelo baseado nos riscos


Enquadramento teórico na perspetiva clínico-sanitária

A estruturação histórica da educação afetiva foi profundamente influenciada pelas disciplinas médicas tradicionais, que concebiam todo o bem-estar fisiológico exclusivamente como a ausência total de patologias diagnosticáveis.

Sob este prisma puramente biológico, a abordagem pedagógica à intimidade era ativada apenas perante a iminência de um problema orgânico ou perante a possibilidade real de uma transmissão viral evitável.

A abordagem pedagógica nunca contemplava o desenvolvimento emocional, operando apenas sob uma lógica puramente reativa, fria e completamente asséptica.

Para as pessoas com diversidade funcional grave, esta visão restritiva e injusta implicava que as suas manifestações eróticas deviam ser sistematicamente limitadas ou suprimidas, partindo do pressuposto errado de que lhes faltava a maturidade indispensável para gerir os seus próprios impulsos.

Por conseguinte, a intervenção justificava-se com base no alarmismo, anulando qualquer indício de prazer ou autoconhecimento para se centrar obsessivamente no controlo epidemiológico e populacional do coletivo vulnerável.

Estratégias de redução de contágios e contenção

A aplicação prática deste quadro sanitário concretizava-se em programas de formação concebidos especificamente para incutir um grande receio quanto às graves consequências da interação física constante.

O objetivo primordial e exclusivo consistia na redução drástica de todas as doenças transmissíveis e na prevenção absoluta de gravidezes não planeadas, através de métodos extremamente restritivos.

Consequentemente, os escassos conteúdos ministrados limitavam-se a enumerar detalhadamente os terríveis perigos inerentes ao contacto corporal, omitindo deliberad mente qualquer referência às dimensões relacionais ou afetivas do indivíduo.

No âmbito específico dos cidadãos com maiores necessidades de apoio, estas estratégias preventivas rigorosas assumiam um tom marcadamente paternalista, autoritário e clínico.

As medidas drásticas adotadas eram frequentemente delegadas diretamente a figuras de autoridade judicial ou sanitária, que, com grande frequência, impunham procedimentos radicais, como intervenções cirúrgicas de esterilização ou interrupções definitivas da gravidez, privando o indivíduo de qualquer autonomia sobre o seu próprio corpo.

Esta severa metodologia de contenção instaurou uma profunda cultura do medo que marginalizava completamente a esfera íntima, tratando-a sempre como um mero vetor de complicações médicas que exigia vigilância constante por parte das instituições e da família, a fim de evitar supostos desastres sociais irreversíveis.

Resumo

O paradigma tradicional abordava a educação exclusivamente sob a perspetiva da prevenção de doenças infecciosas. Esta perspetiva médica ignorava completamente as verdadeiras necessidades emocionais essenciais para alcançar um desenvolvimento psicológico plenamente saudável e feliz.

As estratégias restritivas procuravam conter os impulsos através de intervenções radicais que anulavam a autonomia pessoal. As instituições de saúde aplicavam protocolos muito autoritários para evitar gravidezes, negando todos os direitos fundamentais de cidadãos extremamente vulneráveis.

Superar este modelo implica abandonar as táticas baseadas exclusivamente no alarmismo sanitário. Promover uma educação integral requer reconhecer o direito indiscutível ao prazer, garantindo apoios dignos que respeitem firmemente as decisões corporais de cada um.


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