Sexualidade após tratamentos de reprodução assistida

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  Sexualidade após tratamentos de reprodução assistida


Restrições precoces ao coito devido à estimulação ovariana e à prevenção da torção anexial

O início de uma gravidez através de técnicas de fertilização artificial requer uma adaptação imediata dos padrões de comportamento sexual.

As terapias farmacológicas administradas para induzir a ovulação múltipla provocam um aumento significativo do volume das glândulas ovarianas, alterando temporariamente e de forma drástica a anatomia pélvica interna.

Este aumento de volume gera uma vulnerabilidade biomecânica considerável, uma vez que os ovários hipertrofiados se tornam notavelmente mais pesados e extremamente suscetíveis a sofrer danos causados por movimentos bruscos.

Neste contexto clínico específico, a penetração profunda ou os impactos mecânicos repetitivos durante o ato sexual podem desencadear uma torção anexial grave.

Esta emergência médica ocorre quando o ovário gira acidentalmente sobre o seu próprio ligamento de suporte, interrompendo abruptamente o seu fornecimento de sangue oxigenado e causando uma dor aguda que compromete gravemente tanto a saúde materna geral como a viabilidade dos embriões transferidos.

Consequentemente, os protocolos médicos atuais exigem a instauração de um período de abstinência sexual penetrativa muito rigoroso durante as primeiras e instáveis fases da implantação celular.

Esta restrição física, embora seja absolutamente fundamental para garantir a segurança clínica do procedimento, exige que o casal procure proativamente formas alternativas e criativas de contacto físico.

A exclusão temporária do coito tradicional não deve ser interpretada, em caso algum, como uma proibição total do afeto conjugal, mas simplesmente como uma medida protetora e e transitória que obriga a redescobrir o contacto superficial, as carícias corporais externas e a intimidade puramente emocional.

Adaptar a sexualidade a estes importantes requisitos anatómicos transitórios garante a integridade dos órgãos pélvicos, permitindo recuperar o seu tamanho basal sem complicações.

Bloqueio do desejo devido ao excesso de medicalização do sexo e à ansiedade pela perda gestacional após a infertilidade

Para além das restrições físicas lógicas mencionadas, o árduo percurso pela infertilidade deixa profundas cicatrizes emocionais que alteram gravemente a resposta erótica espontânea.

Durante os longos meses de intervenção clínica constante, a intimidade do casal é submetida a um escrutínio analítico avassalador.

Os encontros deixam de ser espaços de exploração prazerosa e livre para se transformarem rapidamente em obrigações mecanicistas, rigidamente programadas por calendários ovulatórios e diretrizes médicas externas exaustivas.

Esta medicalização excessiva da esfera íntima gera um bloqueio agudo do desejo genuíno, dissociando dolorosamente o prazer corporal da função estritamente reprodutiva.

Uma vez alcançada com sucesso a tão desejada conceção, a transição para uma sexualidade descontraída e fluida raramente ocorre de forma automática.

O historial de frustrações passadas infunde uma ansiedade psicossomática extremamente persistente perante a possibilidade aterradora de sofrer uma nova perda precoce.

Este medo paralisante leva instintivamente muitas pessoas a evitar qualquer tipo de proximidade física profunda, interpretando erroneamente a excitação vascular ou o clímax como ameaças diretas à estabilidade do frágil embrião recém-implantado.

Desfazer esta associação nociva requer o início de um processo consciente de reeducação emocional partilhada.

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