Transcrição Caso especial: a gestão dos videojogos
A gestão do uso de videojogos tornou-se um dos maiores desafios para os pais na era digital.
Estes dispositivos, omnipresentes na vida das crianças em idade escolar, apresentam uma dualidade: por um lado, podem oferecer benefícios para o desenvolvimento cognitivo, mas, por outro, o seu uso excessivo ou inadequado acarreta sérios riscos para a saúde física, mental e o desenvolvimento de valores.
Estabelecer uma disciplina clara em torno dos videojogos não é uma opção, mas uma necessidade para proteger o bem-estar dos nossos filhos e garantir um desenvolvimento equilibrado.
Benefícios e riscos do uso de videojogos
Como quase tudo na vida, os videojogos têm duas faces.
Por um lado, podem ser benéficos, pois ajudam a desenvolver habilidades importantes como a perceção visomotora, os reflexos e a capacidade de concentração, o que pode influenciar positivamente a aprendizagem.
No entanto, os riscos associados ao seu uso indiscriminado são significativos.
O principal problema é a quantidade de horas que as crianças passam em frente ao ecrã.
- Riscos físicos: por ser uma atividade completamente sedentária, o excesso de videojogos prejudica o desenvolvimento dos músculos e ossos e é um fator-chave no aumento da obesidade infantil.
- Riscos neurológicos: A exposição prolongada ao eletromagnetismo dos ecrãs está a ser estudada pelos seus possíveis efeitos a longo prazo, incluindo o desenvolvimento de tumores.
Recomendações sobre o tempo de exposição e o tipo de conteúdo
A chave para mitigar os riscos é a disciplina no tempo e no tipo de conteúdo.
Tempo de exposição: Os especialistas recomendam um máximo de uma hora a cada três dias.
Embora possa parecer uma regra rígida, ela se baseia em evidências dos efeitos negativos do excesso de tela.
A sobreestimulação visual e auditiva dos videojogos pode alterar a estrutura cerebral e gerar depressão, hiperatividade, ansiedade e distúrbios do sono.
É fundamental que as crianças dediquem tempo a atividades físicas como correr, saltar e socializar cara a cara, pois são indispensáveis para o desenvolvimento correto do seu corpo e cérebro.
Tipo de conteúdo: Nem todos os videojogos são iguais.
É responsabilidade dos pais supervisionar o que os seus filhos jogam e ter autoridade para dizer «este não» se for considerado inadequado, independentemente de «todos os seus amigos jogarem».
Uma ferramenta muito útil é usar um cronómetro ou alarme para marcar o fim do tempo de jogo de forma indiscutível.
O perigo dos videojogos violentos no desenvolvimento de valores
Os videojogos extremamente agressivos e violentos representam um perigo particular, pois podem minar e deteriorar o código de valores das crianças.
A exposição constante a imagens de sangue, morte e violência extrema faz com que as crianças aprendam a ver esses atos como algo normal, perdendo a sensibilidade natural diante do sofrimento alheio.
Muitas vezes, nesses jogos, o protagonista e «herói» é aquele que mata mais, decapita mais inimigos ou causa mais destruição.
Essa glorificação da violência ensina que o poder é obtido através da agressão.
Além disso, muitos desses jogos contêm mensagens misóginas, onde as mulheres são apresentadas como "prêmios" ou objetos, ensinando as crianças a não respeitá-las.
Ao contrário do que se poderia pensar, as crianças nem sempre distinguem claramente entre ficção e realidade; a ficção influencia profundamente a forma como elas percebem o mundo real.
Como resultado, valores tão importantes como a compaixão, a sensibilidade e o amor vão-se deteriorando.
Resumo
A gestão do uso de videojogos tornou-se um dos maiores desafios. Eles têm benefícios, como desenvolver a percepção visomotora, mas também riscos sérios.
Os riscos físicos incluem o sedentarismo e a obesidade infantil. Os especialistas recomendam no máximo uma hora a cada três dias.
Os videojogos extremamente agressivos e violentos deterioram o código de valores. A glorificação da violência ensina que o poder é obtido através da agressão.
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