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Tratamento do narcisismo

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Transcrição Tratamento do narcisismo


Dificuldades na terapia e egosintonia

O tratamento do TNP é notoriamente difícil devido à natureza «egosintónica» do transtorno: os pacientes não percebem seus traços de personalidade (arrogância, exigência, falta de empatia) como problemáticos ou alheios a eles; pelo contrário, costumam vê-los como virtudes ou respostas lógicas à sua superioridade. Raramente procuram terapia para «ser menos narcisistas».

Geralmente, eles procuram a consulta devido a crises externas; um divórcio, problemas no trabalho ou depressão; ou pressionados por outras pessoas. Essa falta de consciência da doença cria uma enorme resistência inicial.

O paciente pode desvalorizar o terapeuta se não se sentir suficientemente admirado ou, paradoxalmente, idealizá-lo para se sentir associado a um «especialista superior», apenas para descartá-lo diante da primeira frustração.

O terapeuta deve navegar cuidadosamente entre validar o sofrimento do paciente e confrontar suavemente os seus padrões desadaptativos, evitando ativar a sua defesa de vergonha ou raiva.

Técnicas cognitivas e gestão da contratransferência

A abordagem terapêutica requer estratégias específicas. A partir da terapia cognitivo-comportamental, trabalha-se na identificação e modificação de distorções cognitivas, especialmente aquelas relacionadas à autoimagem grandiosa e expectativas irreais sobre os outros.

Técnicas como a «reestruturação com imagens» ajudam a visualizar formas de ser valioso sem a necessidade de ser superior.

Também se utiliza a dessensibilização sistemática para reduzir a hipersensibilidade à crítica.

Um aspecto crucial é o manejo da contratransferência: as reações emocionais do terapeuta em relação ao paciente. É comum sentir-se irritado, entediado ou intimidado pela arrogância do narcisista.

O profissional não deve entrar em lutas de poder. Em vez disso, abordagens como a "terapia de avaliação cognitiva" sugerem que o terapeuta mantenha uma posição de autoridade benevolente, mas firme, ganhando o respeito do paciente para depois poder influenciá-lo.

O objetivo é promover a empatia por meio da inversão de papéis e ajudar o paciente a assumir a responsabilidade por seu comportamento, transformando fantasias grandiosas em metas realistas e tangíveis.

Resumo

O tratamento é árduo porque o transtorno é "egosintônico": o paciente não vê suas características como problemáticas. Eles geralmente procuram terapia pressionados por crises externas, mostrando grande resistência à mudança.

O terapeuta deve lidar cuidadosamente com a contratransferência para não cair em lutas de poder ou intimidação. É necessária uma postura de autoridade benevolente que valide o sofrimento sem alimentar a grandiosidade.

As técnicas cognitivas procuram modificar a autoimagem distorcida e as expectativas irreais. O objetivo é promover a empatia, assumir a responsabilidade pelo comportamento e transformar fantasias inatingíveis em metas realistas e tangíveis.


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