Transcrição Tipologias de crimes específicos
Crimes contra a propriedade e suas motivações
Os crimes contra a propriedade abrangem atos como furto, vandalismo, incêndio criminoso e roubo em residências.
Ao contrário dos crimes violentos, aqui não costuma haver uso de força física direta contra as pessoas, embora a invasão da privacidade gere um dano psicológico considerável. As motivações por trás desses atos são multifatoriais.
A privação económica severa e a falta de oportunidades legítimas levam muitos à ilegalidade por mera necessidade de subsistência. No entanto, nem tudo é sobrevivência.
Nos adolescentes, a pressão do grupo e o desejo de status dentro de um gangue podem ser gatilhos, assim como a busca por emoções fortes ou "adrenalina".
Um dado revelador é que grande parte desses crimes, como roubos residenciais, ocorrem por oportunidade e proximidade geográfica; é mais provável ser vítima de um vizinho oportunista do que de uma gangue organizada distante.
Além disso, uma parte significativa desses incidentes nunca é denunciada, seja por desconfiança na polícia ou pela percepção de que o dano foi menor, o que dificulta ter uma visão completa do problema.
Assédio (Stalking) e crimes sexuais
O espectro dos crimes sexuais abrange desde o assédio persistente até a agressão física direta.
O assédio ou «stalking» é definido por um padrão de comportamento intrusivo e repetitivo; perseguições, comunicações indesejadas, vigilância; que induz medo ou angústia na vítima.
Muitas vezes, esses comportamentos são minimizados ou disfarçados de romantismo persistente, mas constituem uma forma grave de violência psicológica que corrói a liberdade da pessoa afetada.
No que diz respeito à violência sexual física, é crucial acabar com o mito do agressor desconhecido que espreita num beco.
A grande maioria dos abusos é perpetrada por pessoas do círculo da vítima: parceiros, ex-parceiros, familiares ou conhecidos.
O consumo de álcool desempenha um papel preponderante como facilitador, sendo frequentemente utilizado pelos agressores para reduzir a capacidade de resistência da vítima.
Infelizmente, a taxa de denúncias continua extremamente baixa devido ao estigma, ao medo de represálias e à dificuldade de provar os crimes.
Psicologia do assassino em série e tiroteios em massa
O perfil do assassino em série tem sido amplamente mitificado. É definido tecnicamente como alguém que comete homicídios em eventos separados, com períodos de «acalmia» emocional entre eles.
Contrariamente ao estereótipo do génio solitário e disfuncional, muitos destes criminosos mantêm uma fachada de normalidade: têm emprego, família e participam na comunidade, o que lhes permite operar sem levantar suspeitas durante anos.
As suas motivações variam desde a gratificação sexual sádica até ao lucro ou à missão ideológica, e muitas vezes apresentam antecedentes de trauma infantil grave, incluindo abuso físico ou sexual. Por outro lado, os tiroteios em massa apresentam uma dinâmica diferente.
Frequentemente perpetrados por indivíduos com um histórico de agravios percebidos, rejeição social ou fracasso pessoal, esses atos costumam ser uma forma final de vingança e suicídio em massa. A imitação desempenha um papel fundamental, em que um evento inspira futuros agressores.
É importante notar que, embora a saúde mental seja um fator, a grande maioria das pessoas com doenças mentais não comete esses atos; o acesso a armas de fogo e o acúmulo de crises vitais são fatores determinantes na execução dessas tragédias.
Resumo
Os crimes contra a propriedade surgem por diversas motivações, como necessidade económica, pressão social ou busca de adrenalina. Muitas vezes são crimes de oportunidade e proximidade geográfica que não envolvem força direta, ficando muitos sem denúncia.
A violência sexual e o assédio (stalking) são perpetrados principalmente por pessoas do círculo próximo, não por estranhos. Esses comportamentos, frequentemente facilitados pelo álcool, causam danos psicológicos profundos, embora o estigma mantenha as taxas de denúncia baixas.
Os assassinos em série costumam esconder o seu sadismo por trás de uma fachada de normalidade social e profissional bem construída. Por outro lado, os tiroteios em massa refletem atos e , finais de vingança e suicídio, impulsionados por injustiças acumuladas e pelo acesso a armas.
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