Transcrição A Adultez Emergente
Características distintivas entre os 18 e os 25 anos
A emergência da idade adulta é hoje reconhecida como uma etapa evolutiva única situada entre a adolescência e a maturidade plena.
Este período é definido por cinco características principais: a exploração da identidade, a instabilidade em vários domínios da vida, um foco acentuado em si mesmo, a sensação de estar num ponto intermédio e a perceção de um leque infinito de possibilidades futuras.
É uma fase comum em nações industrializadas, onde a assunção de responsabilidades definitivas, como o casamento ou a paternidade, foi significativamente adiada.
Para a psicologia organizacional, compreender este grupo é essencial, uma vez que estes indivíduos estão numa busca ativa pelo seu papel profissional e são mais propensos a experimentar diferentes comportamentos enquanto tentam alcançar estabilidade económica e pessoal.
A sua liberdade oscila entre a autonomia conquistada e as obrigações que ainda mantêm com o seu núcleo familiar.
Mudanças estruturais no cérebro adolescente
O cérebro humano não termina a sua formação no final da puberdade; na verdade, ele passa por transformações profundas até os 25 anos.
Existe um desfasamento natural entre o desenvolvimento das regiões límbicas, associadas à busca de recompensas e à regulação emocional, e o córtex pré-frontal, responsável pelo controlo cognitivo e pelas funções executivas.
Este «desfasamento» estrutural explica os comportamentos impulsivos que muitas vezes se observam nos jovens trabalhadores.
No entanto, essa plasticidade também representa uma oportunidade única para a formação.
As redes neuronais dos adultos emergentes estão a ser remodeladas a cada experiência de aprendizagem, o que os torna extremamente receptivos à formação técnica e ao desenvolvimento de competências sociais.
Um ambiente de trabalho que ofereça orientação em vez de apenas exigências pode transformar os desafios dessa imaturidade biológica em vantagens competitivas para a inovação e o crescimento da empresa.
Transição e busca de identidade profissional
A transição para a vida profissional adulta é um processo crítico e, muitas vezes, mal interpretado pelas empresas.
As mudanças económicas atuais impuseram novas exigências aos jovens de 18 a 25 anos, que enfrentam o desafio de criar uma identidade pessoal sólida num mundo instável.
Durante esse período, é normal que surjam interesses e objetivos que divergem dos valores do seu ambiente próximo, como parte de um processo de individualização.
O sucesso dessa transição depende de como o indivíduo lida com a falta do apoio familiar tradicional e o aumento das responsabilidades adultas.
As organizações que atuam como ambientes de aprendizagem contínua facilitam essa transição, ajudando o trabalhador a transformar suas inseguranças em autonomia.
Ao integrar o conhecimento biológico sobre o desenvolvimento cerebral com estratégias de gestão humana, é possível orientar os adultos emergentes para um desempenho comprometido, aproveitando a sua energia e abertura para consolidar uma cultura organizacional dinâmica.
Resumo
Situada entre os 18 e os 25 anos, esta fase é caracterizada pela exploração da identidade, instabilidade e foco nas possibilidades futuras antes de assumir responsabilidades definitivas.
A nível biológico, existe um desfasamento entre o desenvolvimento das emoções e o controlo cognitivo pré-frontal, o que explica comportamentos impulsivos, mas também uma alta recetividade à aprendizagem técnica.
As organizações que atuam como ambientes de aprendizagem facilitam a transição profissional, ajudando os jovens a transformar suas inseguranças em autonomia profissional por meio de orientações claras que aproveitam sua energia.
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