Transcrição Estratégias diante da resistência
Validação e a técnica da «Tentativa Temporária»
Quando os clientes resistem a experimentar um novo comportamento alegando que "já tentaram tudo" ou que "não vai funcionar", o confronto direto geralmente aumenta a barreira.
Uma estratégia eficaz, inspirada em mestres clínicos, é a validação empática seguida de um pedido de suspensão temporária da descrença.
O terapeuta poderia dizer: «Compreendo que isto lhe pareça inútil ou artificial, dado o seu histórico. Tem razão em ser cético. No entanto, peço-lhe que me conceda o benefício da dúvida, só por agora».
A frase-chave é: «Experimente apenas aqui, nesta sala, durante cinco minutos.
Se não funcionar ou lhe parecer ridículo, pode abandoná-lo assim que sair pela porta e nunca mais voltar a fazê-lo».
Ao reduzir o custo do compromisso (não é para sempre, é apenas uma breve experiência), a resistência tende a diminuir, permitindo que o casal experimente uma interação diferente que, por si só, pode ser corretiva.
Mudança de foco: do triádico para o diádico
Uma forma comum de resistência é triangular o terapeuta, falando com ele sobre o casal («Ela sempre faz isso...») em vez de falar com o casal. Isso mantém o terapeuta no papel de juiz ou salvador e evita a intimidade direta.
A estratégia para quebrar isso é redirecionar consistentemente a comunicação para a díade.
O terapeuta deve intervir dizendo: «Por favor, diga isso diretamente a ela, não a mim».
Ao forçar a interação diádica (entre os membros do casal), o terapeuta sai da linha de fogo e obriga o sistema a ativar os seus próprios recursos.
Se a resistência se manifestar como um bloqueio na comunicação entre eles, o terapeuta pode modelar a frase e pedir que a repitam olhando nos olhos um do outro, facilitando o contacto que estão a evitar.
O princípio de não trabalhar mais do que o cliente
Um indicador claro de uma terapia estagnada pela resistência é o esgotamento do terapeuta.
Se o profissional está a sugerir soluções, a convencer ou a «puxar o carro» enquanto o casal permanece passivo ou rejeita cada proposta, o equilíbrio de responsabilidade foi quebrado. A regra de ouro é nunca trabalhar mais arduamente do que os clientes na sua própria vida.
Perante esta situação, o terapeuta deve parar e devolver a responsabilidade: «Sinto que estou a remar sozinho aqui.
Tenho muitas ferramentas, mas não posso querer o vosso relacionamento mais do que vocês. O que estão dispostos a fazer hoje?".
Deixar que o silêncio ou a inação pesem sobre o casal
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