Estudo de Caso 2: Reconstrução da vida erótica no casal após lesão medular [D6]

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  Estudo de Caso 2: Reconstrução da vida erótica no casal após lesão medular [D6]


Contextualização Clínica e Diagnóstico Sexológico

Um acidente traumático que provoca uma lesão medular completa ao nível dorsal seis (D6) acarreta paraplegia irreversível e a abolição total da sensibilidade somática na região genital e nos membros inferiores.

Na dinâmica do relacionamento, esta condição fisiológica súbita costuma resultar numa profunda crise de casal, caracterizada pela falta de comunicação, pela evitação do contacto físico e por um luto corporal não resolvido.

A consultante percebe a sua corporalidade como um espaço desprovido de atratividade erótica, enquanto o seu companheiro experimenta uma intensa ansiedade de desempenho e um medo paralisante de lhe causar danos físicos.

O diagnóstico sexológico identifica um bloqueio grave da resposta erótica, provocado pela introjeção do imperativo coitocêntrico e genital-normativo.

Esta distorção cognitiva limita erroneamente a experiência sexual à penetração e ao orgasmo genital padrão, impossibilitando assim a procura ativa de alternativas de prazer partilhado no âmbito da intimidade.

Estratégia de Intervenção e Remapeamento Erógeno

O plano terapêutico baseia-se no princípio bioético da beneficência, promovendo a reconstrução da identidade sexual do casal em direção a modelos de prazer inclusivos e adaptados.

A primeira fase inclui uma reestruturação cognitiva sobre a fisiologia sexual após a lesão medular, educando sobre a neuroplasticidade cerebral e a capacidade de remapeamento somatossensorial através de vias aferentes não lesionadas.

Posteriormente, é implementada a técnica de focalização sensorial com a proibição estrita da penetração e da estimulação genital direta.

Esta medida elimina a pressão de desempenho e promove a exploração tátil progressiva do mapa corporal.

É dada prioridade à estimulação da zona metamérica de transição, situada imediatamente acima do nível da lesão D6, juntamente com regiões erógenas secundárias, como o pescoço, os ombros, o rosto e os braços.

A nível prático, são prescritos apoios ergonómicos que incluem almofadas de posicionamento pélvico, lubrificantes hipoalergénicos à base de água e dispositivos vibratórios de alta frequência aplicados nas zonas com sensibilidade preservada.

Esta abordagem é complementada por um workshop de comunicação afetivo-expressiva para facilitar a manifestação verbal de desejos, receios e desconfortos no espaço íntimo.

Avaliação dos Resultados e Reconstrução da Relação

A avaliação pós-tratamento evidencia uma reconfiguração plenamente satisfatória do repertório erótico do casal.

Ao deslocar a atenção do coitocentrismo genital para a totalidade do esquema corporal, a estimulação sistemática da zona de transição cervical e dorsal consegue desencadear sensações intensas equivalentes ao clímax, conhecidas como respostas para-orgásmicas.

Esta descoberta neurofisiológica restabelece a cumplicidade no vínculo, dissipa a ansiedade de desempenho e devolve ao casal uma experiência íntima prazerosa, autónoma e integradora.

Além disso, ambos consolidam uma vida erótica ativa, ple


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