Efeitos biológicos organizadores e ativadores dos androgénios e dos estrogénios

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  Efeitos biológicos organizadores e ativadores dos androgénios e dos estrogénios


Ação organizadora pré-natal das hormonas sexuais

Durante o desenvolvimento embrionário e fetal, os esteróides gonadais exercem um impacto de natureza estrutural denominado efeito organizador.

Esta influência ocorre dentro de janelas temporais críticas e irreversíveis, moldando de forma permanente tanto a anatomia física como a neurobiologia funcional do indivíduo.

A presença de androgénios no ambiente pré-natal promove a preservação ativa dos condutos embrionários masculinos e facilita a diferenciação das estruturas genitais externas através da conversão tecidular em metabolitos de maior potência metabólica.

Em contrapartida, a ausência de níveis elevados de androgénios permite o estabelecimento e o crescimento do fenótipo feminino interno e externo.

Para além do seu papel morfológico na região pélvica, estas substâncias químicas organizam precocemente diversos circuitos cerebrais, especialmente na área hipotalâmica, estabelecendo a programação neuroendócrina básica que irá regular os padrões futuros de secreção de gonadotrofinas e condicionando a suscetibilidade tecidular a estímulos fisiológicos posteriores durante a fase adulta do indivíduo.

Dinâmica ativadora durante a puberdade e a maturidade

Os efeitos ativadores manifestam-se quando o eixo endócrino é reativado com força durante a fase puberal, fazendo com que as hormonas atuem sobre as estruturas previamente organizadas durante a gestação.

Ao contrário das alterações pré-natais, estas respostas somáticas são geralmente reversíveis e dependentes da concentração de esteróides circulantes no sangue.

Neste período de maturação, os androgénios induzem transformações profundas, tais como o aumento da massa muscular, o aumento da densidade óssea, o engrossamento do timbre vocal, a proliferação de pêlos corporais e o aumento do tamanho dos órgãos genitais.

Por seu lado, os estrogénios promovem a maturação folicular, o início do desenvolvimento mamário, a redistribuição da gordura subcutânea para as ancas e o estabelecimento do ciclo menstrual.

Ambos os grupos hormonais são indispensáveis para manter a saúde sistémica, a capacidade reprodutiva, o bem-estar emocional e o equilíbrio metabólico adequado e contínuo ao longo de toda a fase adulta de todos os seres humanos em geral.

Integração neurobiológica do comportamento e da libido

Para além das alterações somáticas visíveis, as hormonas sexuais desempenham um papel crucial como neuromoduladores no sistema nervoso central.

Tanto os androgénios como os estrogénios influenciam diretamente o sistema límbico, otimizando a sensibilidade das vias dopaminérgicas responsáveis pela motivação, pelo prazer erótico e pela antecipação de recompensas.

A testosterona atua como o principal facilitador biológico do desejo em todos os corpos humanos, sendo sintetizada em proporções diversas pelas gónadas masculinas, pelas gónadas femininas e pelas glândulas supra-renais.

Durante a adolescência, o aumento abrupto destes esteróides interage com um cérebro em reestruturação, onde as regiões emocionais amadurecem mais rapidamente do que os centros pré-frontais responsáveis pelo controlo executivo.

Esta disparidade no processo de maturação explica o aumento da libido, a propensão para a assunção de riscos, a competitividade e a intensidade afetiva que caracterizam de forma absolutamente ineludível esta fase evolutiva do desenvolvimento humano.

Resumo

Os efeitos organizadores dos androgénios e dos estrogénios ocorrem de forma irreversível durante a fase pré-natal. Esta estimulação hormonal crítica determina a estruturação da anatomia reprodutiva interna e externa, além de configurar os circuitos neuronais hipotalâmicos.

Durante a puberdade, os efeitos ativadores provocam transformações somáticas reversíveis através do aumento dos esteróides circulantes. Essas alterações promovem a maturação gonadal, o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e o estabelecimento da plena capacidade reprodutiva.

A nível neurobiológico, estas hormonas atuam sobre o sistema límbico, regulando a motivação erótica, o desejo e a resposta de prazer. Durante a adolescência, têm impacto num cérebro em reestruturação, acentuando a intensidade afetiva e a impulsividade.


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