Abuso Sexual Infantil [ASI]: assimetrias de poder, conhecimento e gratificação

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  Abuso Sexual Infantil [ASI]: assimetrias de poder, conhecimento e gratificação


Conceito de Abuso Sexual Infantil e o seu Quadro de Vulnerabilidade

O abuso sexual infantil representa uma violação traumática e grave dos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes.

Este fenómeno abrange qualquer conduta de natureza erótica ou sexual imposta a um menor que não possua o desenvolvimento psicológico e a maturidade evolutiva necessários para a compreender, avaliar as suas consequências ou dar um consentimento válido.

O espectro desta agressão abrange desde comportamentos sem contacto físico, como o exibicionismo ou a exposição a material pornográfico, até toques indevidos e violações físicas graves.

A gravidade destes atos reside na violação da confiança do menor, alterando drasticamente a sua segurança emocional e perturbando de forma contínua o seu processo de desenvolvimento evolutivo, integral e social.

A assimetria de poder nas relações interpessoais

A assimetria de poder constitui um pilar estrutural indispensável para conceptualizar a dinâmica do abuso.

Esta disparidade baseia-se na superioridade física, na diferença de idade e na posição de autoridade ou hierarquia que o agressor detém face à vítima.

Na maioria das situações, o agressor pertence ao círculo próximo ou familiar, instrumentalizando a relação de dependência afetiva, de cuidados ou de sustento económico.

Através do uso da coação, da intimidação explícita ou da manipulação psicológica subtil, o adulto invalida a capacidade de resposta e de defesa do menor.

Esta hegemonia impõe um pacto de silêncio forçado que perpetua a submissão e dificulta a deteção precoce por parte das instituições.

A assimetria de conhecimento e a manipulação cognitiva

A assimetria de conhecimento refere-se à lacuna cognitiva e informativa que separa o menor do adulto.

O agressor possui um desenvolvimento intelectual completo e uma compreensão absoluta da sexualidade humana, enquanto a vítima se encontra em plena fase de aprendizagem.

Esta desigualdade é utilizada intencionalmente pelo agressor para distorcer a perceção da criança, disfarçando as agressões sexuais como brincadeiras inocentes, demonstrações de afeto ou segredos partilhados.

Incapaz de processar conceptualmente a transgressão dos seus limites corporais, a vítima sofre uma profunda confusão mental, o que resulta em sentimentos totalmente infundados de responsabilidade pessoal, culpa, vergonha e indefesa prolongada ao longo de todo o seu desenvolvimento vital e social.

A assimetria da gratificação e a instrumentalização

A assimetria da gratificação define o objetivo exclusivo da agressão sexualizada.

Toda a interação desta natureza responde exclusivamente à busca de prazer, fantasia ou satisfação erótica por parte do agressor.

O menor é objetificado e transformado num mero instrumento para o prazer alheio, anulando a sua condição de sujeito com direitos próprios.

Embora o agressor tente gerar excitação ou simular um vínculo de reciprocidade com a vítima, a ação satisfaz as su


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