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Ser ágil vs. fazer agilidade (Being vs. Doing Agile)

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Transcrição Ser ágil vs. fazer agilidade (Being vs. Doing Agile)


No mundo da agilidade, existe uma distinção fundamental que muitas vezes é ignorada: a diferença entre «Fazer Agilidade» (Doing Agile) e «Ser Ágil» (Being Agile).

"Fazer Agilidade" refere-se à adoção superficial de práticas, ferramentas e cerimónias ágeis (como usar Scrum ou Kanban) sem necessariamente mudar a cultura ou a mentalidade subjacente.

Em contrapartida, "Ser Ágil" implica uma transformação mais profunda, uma internalização dos valores e princípios ágeis que orientam o comportamento, a tomada de decisões e a forma de pensar.

Enquanto "Fazer Agilidade" pode oferecer melhorias incrementais, o verdadeiro potencial transformador da agilidade é desbloqueado ao "Ser Ágil".

É a diferença entre seguir uma receita e compreender verdadeiramente a arte de cozinhar.

A dualidade: mentalidade vs. prática

Esta distinção representa uma dualidade fundamental:

Fazer Agilidade (Prática): Está associada ao lado esquerdo do cérebro, à lógica e às tarefas.

Envolve implementar estruturas de trabalho (Scrum, Kanban, XP), utilizar ferramentas específicas, realizar cerimónias (stand-ups, retrospectivas) e seguir processos definidos. É a aplicação externa e visível da agilidade.

Ser ágil (mentalidade): está associado ao lado direito do cérebro, ao emocional e ao social. Trata-se de adotar a mentalidade ágil, viver os valores (como os do Manifesto Ágil) e aderir aos princípios ágeis no dia a dia.

É a internalização da filosofia ágil, que influencia a forma como se colabora, se responde à mudança e se foca no valor.

Ambos os aspetos são importantes, mas sem «Ser Ágil», «Fazer Agilidade» muitas vezes torna-se uma simples fachada sem benefícios sustentáveis.

«Ser ágil»: internalizar valores e princípios

«Ser ágil» significa incorporar a mentalidade ágil. Isto implica:

Pensamento ágil: adotar uma abordagem mental baseada na adaptação, na aprendizagem contínua e na resposta flexível à mudança. Requer deixar para trás a rigidez do planeamento preditivo exaustivo quando o contexto é incerto.

Valores fundamentais: Viver consistentemente os valores ágeis, como transparência, colaboração, confiança e respeito pelas pessoas.

Priorizar os indivíduos e suas interações, a entrega de valor funcional, a colaboração com o cliente e a resposta à mudança.

Princípios Orientadores: Utilizar os doze princípios do Manifesto Ágil como guia para a tomada de decisões diárias.

Competências-chave: Desenvolver comportamentos alinhados com a liderança Lean-Agile e competências como facilitação, ensino, mentoria e coaching.

Requer coragem, compromisso e abertura. É uma forma de ser e agir que impregna toda a cultura da equipa ou organização.

"Fazer Agilidade": Aplicar Processos e Ferramentas

"Fazer Agilidade" refere-se à implementação concreta das práticas e processos associados aos quadros ágeis. Isso inclui:

Estruturas de Trabalho: Utilizar metodologias específicas como Scrum, Kanban, XP, Safe, etc.

Práticas e cerimónias: realizar eventos como sprints, stand-ups diários, revisões de sprints, retrospectivas, usar quadros Kanban, etc.

Ferramentas: Empregar software de gestão de projetos ágeis (Jira, Trello, Asana), ferramentas de colaboração, etc.

Processo de Coaching: aplicar um processo estruturado para ajudar pessoas, equipas e organizações na adoção e adaptação da agilidade, buscando melhorar e acelerar seus resultados.

Abordagem Empírica: Utilizar a inspeção e a adaptação como mecanismos-chave para o controlo de processos (empirismo).

Gestão do fluxo: Otimizar o fluxo de trabalho, muitas vezes inspirado nos princípios Lean, minimizando o desperdício.

Embora "Fazer Agilidade" forneça a estrutura, a sua eficácia depende em grande parte de ser apoiada por uma verdadeira mentalidade "Ser Ágil".

Resumo

Existe uma distinção fundamental entre "Fazer Agilidade" (Doing Agile) e "Ser Ágil" (Being Agile). "Fazer Agilidade" é a adoção superficial de práticas e ferramentas.

Em contrapartida, "Ser Ágil" implica uma transformação mais profunda. É a internalização dos valores e princípios ágeis que orientam o comportamento e a mentalidade.

Embora "Fazer Agilidade" possa oferecer melhorias, o verdadeiro potencial transformador é desbloqueado ao "Ser Ágil". Sem "Ser Ágil", "Fazer Agilidade" é uma fachada.


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