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Manipulação e distorção dos factos

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Transcrição Manipulação e distorção dos factos


Interpretação tendenciosa, omissão de contexto e retenção de informação

A manipulação mais eficaz muitas vezes não requer mentiras diretas, mas sim uma gestão seletiva da verdade.

Os factos, por natureza, estão frequentemente sujeitos a interpretação e dependem do contexto em que são apresentados.

Um manipulador experiente sabe como pegar uma verdade e distorcê-la simplesmente omitindo detalhes importantes ou tirando-a do seu contexto original para alterar o seu significado.

Esta técnica, conhecida como manipulação de factos, permite ao agressor moldar a perceção da vítima sem tecnicamente «mentir», o que dificulta a confrontação direta. Uma das táticas mais comuns é a retenção de informações importantes.

No âmbito profissional ou pessoal, alguém pode ocultar dados vitais de que a outra pessoa precisa para tomar uma decisão informada, ou divulgar segredos estratégicos em momentos projetados para causar o máximo dano.

Ao controlar quais informações chegam à vítima e como são apresentadas, o manipulador influencia a forma como ela "digerirá" a realidade, guiando suas reações emocionais e decisões para o resultado desejado.

Também é frequente subestimar ou exagerar os factos: apresentar um evento grave como algo trivial para evitar consequências, ou inflar um pequeno erro alheio para gerar culpa.

Uso estratégico do tempo e sobrecarga de informação para evitar o escrutínio

O fator tempo ("timing") é um componente essencial na manipulação da informação.

Os atores políticos e corporativos frequentemente utilizam estratégias temporais para minimizar o impacto de notícias negativas.

Um exemplo clássico é a divulgação de relatórios prejudiciais ou medidas impopulares no final da semana de trabalho (por exemplo, numa sexta-feira à tarde).

A lógica por trás disso é que, nesse momento, a atenção do público e a cobertura da mídia diminuem drasticamente, pois as pessoas estão focadas em seu tempo livre, o que reduz o escrutínio e a reação social.

Por outro lado, quando a informação beneficia o manipulador, ela é divulgada em momentos de maior audiência para garantir o maior impacto possível.

Além da gestão do tempo, pode-se empregar a sobrecarga informativa ou o sensacionalismo para saturar a capacidade de análise da vítima, impedindo-a de distinguir o que é importante do que é acessório.

Essa distorção deliberada busca criar uma narrativa em que o manipulador sempre aparece sob uma luz favorável, independentemente da realidade objetiva de suas ações.

Resumo

A verdade é gerida seletivamente, omitindo contextos-chave para alterar o significado dos factos sem mentir diretamente. A retenção de informações vitais impede a vítima de tomar decisões informadas.

O manipulador influencia a forma como a realidade é «digerida», orientando as reações emocionais através da exageração ou subestimação dos acontecimentos. Controla os dados que chegam à vítima para moldar a sua perceção de forma conveniente.

O uso estratégico do tempo ("timing") minimiza o impacto de notícias negativas, divulgando-as quando há pouca atenção. Também usam a sobrecarga de informação para saturar a capacidade de análise e evitar o escrutínio.


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