Transcrição Intrusismo e novas tendências
O Fenómeno do Coaching e as Terapias Alternativas
Atualmente, o campo da saúde mental enfrenta o desafio da proliferação de disciplinas não regulamentadas, sendo o "coaching" a mais proeminente.
É imperativo entender que um coach se concentra no treinamento para a consecução de objetivos, liderança e desenvolvimento de habilidades específicas em pessoas funcionalmente saudáveis.
O coaching não é terapia; não possui as ferramentas clínicas, teóricas nem a formação psicopatológica para abordar traumas profundos, distúrbios de ansiedade, depressão ou distúrbios de personalidade.
A confusão surge quando se tenta aplicar metodologias de motivação e realização de objetivos a quadros clínicos que requerem uma intervenção sanitária.
Riscos da intrusão para a saúde pública
O intrusismo profissional ocorre quando pessoas sem formação universitária habilitante nem a correspondente inscrição profissional tentam exercer funções próprias do psicólogo.
Isso inclui profissionais de outras áreas (como engenheiros, advogados ou administradores) que fazem mestrados ou cursos de pós-graduação em áreas como "orientação comportamental" ou "sexologia" e, erroneamente, assumem que isso lhes confere licença clínica.
Esses cursos de pós-graduação costumam ser informativos ou de crescimento pessoal para não psicólogos, mas não habilitam para a consulta clínica.
O risco para a saúde pública é grave: uma abordagem inadequada pode exacerbar a sintomatologia do paciente, tornar os distúrbios crónicos ou desencadear crises psíquicas por não saber lidar com a contenção emocional ou o risco de suicídio.
A responsabilidade da psicoeducação
Combater o intrusismo não é apenas uma defesa profissional, mas um dever ético de proteção ao paciente.
O psicólogo tem a responsabilidade de educar a comunidade sobre essas diferenças.
Uma abordagem ética implica saber quando um paciente necessita de psicoterapia clínica e quando pode beneficiar de um processo de coaching ou aconselhamento, sem misturar as competências.
Permitir que pessoas não qualificadas tratem patologias mentais sob o disfarce de «terapias alternativas» ou «coaching de vida» viola o direito do paciente de receber um tratamento baseado em evidências e regulamentado por leis sanitárias.
Resumo
O coaching centra-se no treino para alcançar objetivos em pessoas saudáveis, carecendo das ferramentas clínicas e teóricas necessárias para abordar distúrbios mentais profundos ou traumas.
A intrusão profissional ocorre quando pessoas sem qualificação oficial tentam exercer funções psicológicas, o que representa um grave risco para a saúde pública e pode tornar os distúrbios crónicos.
Os psicólogos têm o dever ético de educar a comunidade sobre estas diferenças, protegendo o direito do paciente a receber um tratamento sanitário regulamentado e baseado em evidências.
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