Transcrição Tipos de aventuras complexas
A aventura por vício sexual e a busca pelo vazio
Existem padrões de infidelidade em que o motor não é um défice na relação primária, mas uma dinâmica interna do indivíduo que procura preencher um vazio existencial através da conquista constante. Brown classifica isto como aventuras de dependência sexual.
O indivíduo, muitas vezes descrito coloquialmente como «mulherengo» ou «donjuán», precisa da injeção de adrenalina e validação que proporciona o enamoramento inicial ou a sedução de uma nova pessoa.
Para esse perfil, o parceiro estável, por melhor que seja, eventualmente perde a novidade e deixa de proporcionar essa euforia narcisista. A infidelidade é compulsiva e serial.
Clinicamente, observa-se uma negação da responsabilidade e uma minimização do dano causado ("não significou nada", "eu controlo").
Muitas vezes, prometem mudar, mas o ciclo se repete porque o comportamento é uma tentativa fracassada de se sentirem "vivos" e encobrir carências internas profundas, o que requer uma abordagem mais próxima do tratamento de vícios do que da terapia de casal tradicional.
A aventura do «Ninho Vazio» ou ruptura do eu
Este tipo de infidelidade costuma aparecer em fases avançadas do ciclo de vida, frequentemente depois de os filhos se tornarem independentes.
O casal, que funcionou como uma equipa parental eficiente durante décadas, encontra-se de repente sozinho e descobre que a conexão emocional se desgastou.
Um dos membros, sentindo que a vida está a escapar-lhe, envolve-se numa aventura que lhe devolve a sensação de vitalidade perdida.
Ao contrário do vício sexual, aqui geralmente há uma conexão emocional intensa com o amante.
O indivíduo não procura apenas sexo, mas uma nova identidade ou uma «segunda juventude».
O prognóstico é reservado porque a relação conjugal é percebida como uma casca vazia, sustentada apenas pela história e pela logística familiar, enquanto a nova relação oferece uma intimidade e emoção que o casamento parece incapaz de replicar nesta fase.
A aventura de «saída» como porta de escape
Finalmente, encontramos a «aventura de saída».
Nesse cenário, o indivíduo já decidiu internamente que o relacionamento acabou, mas não tem assertividade ou coragem para iniciar a ruptura de forma direta.
A infidelidade é usada consciente ou inconscientemente como o gatilho que forçará o fim.
O paciente recorre à terapia ou deixa pistas evidentes da sua traição, procurando que o terapeuta ou o seu parceiro tomem a decisão por ele («ajude-me a atravessar a porta»).
A aventura funciona como uma ponte para uma nova vida ou como uma ferramenta para queimar as naves, tornando impo
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